Salvador - Representantes de vários grupos homossexuais do Estado comandados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) protestaram, no final da tarde de ontem, em frente à Catedral Basílica de Salvador contra o documento do Vaticano que condena o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Portando várias faixas e cartazes defendendo liberdade sexual e criticando a Igreja Católica, os gays queimaram uma cópia do documento do Vaticano.
Muitos levaram apitos e sinetas que produziram um barulho ensurdecedor no Terreiro de Jesus, no centro histórico de Salvador, área onde a igreja costuma realizar procissões. Os gays também decidiram promover uma passeata em volta da praça onde se localizam três das mais belas igrejas baianas, a Catedral, a Igreja de São Pedro dos Clérigos e a Igreja de São Domingos.
Ao chegarem nas escadarias da Catedral Basílica (cujas portas estavam fechadas), palácio sacro construído com pedra lioz importada de Portugal no século 17, o fundador do GGB, o antropólogo paulista Luís Mott explicou ter escolhido o dia 4 de agosto para realizar o protesto por ser o dia de São Domingos, fundador da Inquisição. ''Nós repudiamos totalmente esse documento do Vaticano pois o Brasil é um País leigo, separado da religião e portanto queremos todos os direitos inclusive o de se enforcar através do casamento'', disse. Para o GGB esse tipo de posição da Igreja estimula o homofobia, podendo aumentar a violência contra os gays.
Em seguida, os 30 militantes homossexuais passaram a gritar palavras de ordem. No momento que a cópia do documento estava sendo queimada, eles rezaram o Pai Nosso em coro. Logo depois houve uma ''sessão'' de beijos cálidos para os fotógrafos que acompanhavam a movimentação. Panfletos explicando as razões do protesto e formulários de apostasia (deserção da fé) foram distribuídos aos turistas e trabalhadores que circulavam pelo local.
Quando a manifestação se dissolveu um grupo de gays seguiu fazendo alarde com os apitos em direção à Praça da Sé e deram de frente com um pregador evangélico que, armado com um alto-falante tentava converter os ''pecadores'' da área. Houve troca de insultos, mas tudo acabou na tradicional ''paz baiana''.

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