Homossexuais protestam no Rio
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Clarissa Thomé 
Rio, 14 (AE) - A estátua da Justiça, em frente ao fórum, no centro do Rio, foi coberta por um manto nas cores do arco-íris (símbolo de entidades gays), num protesto contra a morte do adestrador de cães Edson Neris da Silva, assassinado em São Paulo na madrugada do último dia 06, por um grupo de skinheads. Os manifestantes distribuíram ainda rosas entre as pessoas que passaram pelo local. "A Justiça não vai estar cega neste caso; os crimes contra homossexuais devem ser punidos", defendeu o secretário geral da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Travestis (ABGLT), Cláudio Nascimento da Silva.
De acordo com Silva, o Rio é o Estado campeão nas estatísticas de crimes contra gays - 35% dos 1.700 homossexuais assassinados no País em 12 anos teriam sido mortos no Rio de Janeiro, segundo dados da ABGLT. "As autoridades não reconhecem que há grupos neofascistas no Estado, mas temos vários registros de ataques contra gays por grupos de carecas nos últimos anos", afirmou o secretário geral, que pediu atenção especial da polícia à atuação dos skinheads. "Não assassinaram apenas um homossexual, a posição neofascista é contra negros, nordestinos, judeus e qualquer um na sociedade pode ser a próxima vítima".
O protesto, que reuniu cerca de 30 militantes de entidades gays, serviu ainda para convocar a população para passeatas que ocorrerão em todo o país em 19 de março, parte das manifestações pelo Dia Nacional de Luta Contra a Violência Anti-Homossexual. A data de protesto foi marcada por causa da morte de Edson Neris da Silva.


