Curitiba-A violência e a discriminação contra homossexuais levou cerca de 50 integrantes do Grupo Dignidade e de outras organizações de defesa e promoção dos direitos humanos às ruas de Curitiba. Além de denunciar a situação, eles querem sensibilizar o governo do Estado e Prefeitura Municipal a aprovarem leis que penalizem esse tipo de discriminação.
Na Boca Maldita, ponto de burburinho da cidade, os manifestantes estenderam uma bandeira do arco-íris de 50 metros de comprimento, símbolo do movimento gay, e, sobre ela, colaram recortes de jornais com matérias sobre os assassinatos cometidos no Paraná contra homossexuais e triângulos cor-de-rosa o símbolo utilizado pelos nazistas para identificar homossexuais com os nomes ds vítimas.
Também expuseram faixas pedindo o fim do preconceito. ''A igreja vê os homossexuais como pecadores e a homofobia (ódio contra homossexuais) é presente internacionalmente. Precisamos reverter esse quadro'', declarou Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade.
Nos últimos dez anos, 100 homossexuais foram assassinados no Paraná. Somente em Curitiba, nos últimos três meses, foram seis assassinatos. O último deles aconteceu na Rua Piquiri, no bairro Rebouças, há cerca de quatro dias, quando três rapazes passaram de carro atirando contra um travesti. O local é considerado ponto de prostituição, frequentado por travestis.
Para Toni Reis, a característica desses crimes cometidos contra homossexuais é o requinte de crueldade: 12 tiros, 32 facadas, decepamento de partes do corpo, crânio esmagado, enforcamento e estrangulamento. De modo geral também envolvem roubo. ''O que gera essa situação é a impunidade, a homofobia, o preconceito e a discriminação. Do total de 100 assassinatos cometidos nos últimos dez anos, apenas 2% foram solucionados'', disse.
Vestidos com camisetas pretas, os manifestantes distribuíram panfletos informativos à população e coletaram assinaturas num abaixo-assinado que pede a aprovação, pela Câmara de Curitiba e pela Assembléia Legislativa do Paraná, dos projetos de lei que penalizam a discriminação por orientação sexual.
Segundo Silene Hirata, advogada do Grupo Dignidade, o projeto de lei protocolado na Câmara Municipal está parado há três anos e o da Assembléia, há um ano. Os projetos de lei prevêem aplicação de multa aos infratores mas, segundo Hirata, um dos motivos da rejeição dos mesmos é o alto valor das multas a serem aplicadas. Segundo Toni Reis, os autores dos projetos são os deputados Marcos Isfer (PPS) e Elza Correia (PMDB) e o vereador J.P. (PSB).
Segundo Toni Reis, Curitiba é a única capital do sul do Brasil que ainda não tem lei contra a discriminação de homossexuais. Oito estados e 13 capitais brasileiras já possuem leis específica de punição para esse tipo de crime. ''O preconceito é muito grande e presente dentro da própria família. Em alguns assassinatos, familiares vieram até nós reclamar do fato do filho morto ter sido chamado de homossexual. Eles alegavam que não era homossexual'', conta.
Estudo feito pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 14 capitais brasileiros, em 2000, revelou que 27% dos alunos não gostariam de ter homossexuais como colegas de classe.

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