Recife, 27 (AE) - Os cabeleireiros Sidcley Rodrigues da Silva, de 24 anos, e Eduardo José dos Santos, de 20 anos, acusaram hoje a diretora da Escola Estadual Murilo Braga, em Jaboatão dos Guararapes (PE), Mércia de Almeida Brito, de discriminação. Ela teria impedido que ambos se matriculassem na escola por serem homossexuais.
Os cabeleireiros prestaram depoimento hoje à tarde na delegacia do bairro Cavaleiro e contaram ter sido maltratados e proibidos de se matricular pela diretora. Segundo Sidcley, ele e Eduardo estavam afastados da escola há dois anos e se cadastraram no sistema de matrículas na segunda-feira, de posse dos documentos da escola onde estudaram anteriormente. Ambos foram à Escola Estadual Murilo Braga no dia seguinte para se inscrever. "Ficamos esperando e quando chegou nossa vez ela nos olhou e disse na minha escola eu não matriculo gente anormal - isso diante de um monte de gente; e nós saímos de lá humilhados e arrasados", contou o cabeleireiro.
De acordo com o delegado Moisés Teixeira Barbosa, a diretora deverá ser convocada para depoimento por meio de ofício à Secretaria Estadual de Educação.A diretora Mércia de Almeida Brito não foi localizada para comentar a acusação.
Preocupados em preservar a família de agressões, eles decidiram registrar queixa na delegacia policial do bairro e recebem apoio jurídico da ONG Os Defensores, dedicada a problemas da sexualidade e aos direitos dos homossexuais, da qual Sidcley é colaborador. Eles deverão enviar dossiês ao Ministério da Justiça e à Secretaria Estadual de Educação, pedindo providências e punição à diretora, e recorrer à Ouvidoria de Justiça para o acompanhamento do caso.

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