Londrina - Mais de 11 após a morte do mecânico Adão Mondeck, o acusado de ter provocado propositalmente o acidente que o vitimou, Irton Menino dos Santos, foi condenado a 17 anos e seis meses por homicídio doloso qualificado e tentativa de homicídio contra o filho da vítima. A condenação saiu somente esta semana. O processo, que estava parado havia mais de uma década, foi um dos contemplados pelo Mutirão do Júri, realizado pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), para tentar atingir a meta 4 da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), estabelecida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O objetivo do mutirão foi diminuir ao máximo a quantidade de processos antigos relativos a crimes contra a vida, que aguardavam decisão judicial até hoje. Somente em Londrina, 30 processos foram julgados, trazendo um alento aos familiares das vítimas e, ao mesmo tempo, aos réus que, durante esse período, tiveram suas vidas indefinidas por ausência de uma decisão. ''Não ficamos felizes pela decisão em si, pois estamos aqui porque nosso pai morreu. Mas a sentença nos traz um alívio. É a certeza de que essa história, finalmente, teve um fim'', desabafa Elza Mondeck Walichek, filha de Mondeck, após o pronunciamento da juíza Elizabeth Khater.
Antes da decisão, porém, juntamente com ela, outros seis irmãos, acompanhados dos filhos, ocupavam parte de uma ala na sala de julgamento. A todo momento, terços e medalhas nas mãos se revezavam com lenços para enxugar as lágrimas enquanto a promotora fazia a acusação. ''Por favor, meu Deus, nos ajude'', murmurava, com a cabeça baixa e as mãos nos olhos, uma das filhas.
Adão Mondeck morreu depois que a caminhonete dele foi atingida pelo caminhão conduzido por Santos. A ação teria sido motivada por retaliação após um desentendimento entre os dois. O veículo do mecânico capotou e rolou ribanceira abaixo.
Enquanto isso, do outro lado da sala, esposa e filhas de Irton Santos ficavam cada vez mais aflitos e nervosos ao decorrer do julgamento. ''É como se eu estivesse num velório de uma pessoa viva, só esperando a hora de enterrar'', conta a esposa do acusado, Irene Bernardes Santos. A filha também não se continha e dizia que o pai era inocente. ''Não sei como isso vai terminar. Mas durante boa parte da minha vida vi meu pai sofrer com essa acusação'', conta a jovem, hoje, com 25 anos.
Provedor da família, de acordo com a esposa de Santos, ele não parou de trabalhar como caminhoneiro, mas os últimos dez anos foram os mais difíceis. ''Nunca sofremos represália por essa acusação, porque as pessoas nos conhecem e sabem que somos batalhadores. Mas quem não sabe de nossa história pode nos julgar de forma errada'', diz.
Apesar da emoção à flor da pele dos familiares de ambas as partes, o réu praticamente não demonstrou reação. Até mesmo após a leitura da sentença, na qual a juíza ordenou sua prisão preventiva, Santos manteve-se aparentemente tranquilo, ainda que tenha se recusado a conversar com a Reportagem.
Diferentemente de sua filha, que saiu da sala aos prantos com a possibilidade de ver o pai saindo algemado. A decisão da magistrada, entretanto, foi diferente. E Santos pôde, então, apesar da condenação, ir embora com a família e aguardar em liberdade os trâmites do processo. Além da pena pelo acidente, ele já havia sido condenado em dezembro de 2011 por outro homicídio e responde em liberdade até o caso ser transitado em julgado.

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