Homicídios dolosos aumentam 11,7% em SP de janeiro a setembro
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terça-feira, 21 de dezembro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 21 (AE) - Apesar dos esquemas aplicados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo no combate à violência e à criminalidade, como o policiamento comunitário e o trabalho conjunto das polícias civil e militar, os homicídios dolosos aumentaram 11,7% na capital de janeiro a setembro em comparação com o mesmo período do ano passado.
Houve também aumento na Grande São Paulo, 2%, e no interior, 5,5%. De janeiro a setembro ocorreram em todo o Estado
9.530 assassinatos, aumento de 7,1% em comparação com 1998.
Luiz Antônio de Souza, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), afirmou que a criminalidade em São Paulo cresce desde a metade do ano passado.
Para ele, as causas do aumento estão principalmente na política pública que "praticamente não existe." Segundo Souza, não é só investindo na polícia que o governo vai resolver o problema da criminalidade. "É preciso investir mais em educação
saúde e na parte habitacional."
Este ano, chacinas na capital e Grande São Paulo já deixaram 300 mortos. "No caso das chacinas os autores são diferentes dos que cometem os outros homicídios", adiantou Souza.
O pesquisador da USP afirmou que para a prática das chacinas os autores se organizam, vão em grupos, diferentemente dos que praticam os crimes do dia a dia. "Vivemos hoje uma situação pior do que a do ano passado porque, sem a aplicação da política pública, os jovens, desempregados, se envolvem em crimes.
O aumento da violência tem assustado as pessoas nas pequenas e grandes cidades. Túlio Khan, do Instituto Latino-americano das Nações Unidas para a Prevenção de Delito e Tratamento do Delinquente (Ilanud), explicou que analisando a taxa dos homicídios dolosos por 100 mil habitantes, São Paulo tem 44,3 assassinatos.
Na análise de Khan, com base nos números de homicídios, o Brasil aparece como o quarto país mais violento da América Latina superado pela Colômbia, Honduras e Jamaica. Pelos números do Ilanud o Brasil concentraria 38,5% de todos os homicídios ocorridos na América Latina e Caribe."


