Londrina – O número de homicídios culposos no trânsito do Paraná diminuiu 14% no primeiro semestre deste ano comparado com o mesmo período de 2013. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp), nos seis primeiros meses de 2014 foram 845 mortes, contra 988 no ano passado.
O homicídio culposo, quando não há intenção de matar, é tratado no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê detenção de dois a quatro anos e suspensão da habilitação. A pena pode ser aumentada de um terço à metade, se o condutor não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH), deixar de prestar socorro à vítima ou estiver conduzindo veículo de transporte de passageiros.
Para Juan Ramon Franco, coordenador de Educação para o Trânsito do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), a diminuição de óbitos não é motivo para comemoração, já que os números ainda são altos. Ele ressalta, no entanto, que algumas medidas têm contribuído para os novos índices. "As ações de fiscalização têm aumentado, sobretudo em relação ao consumo de álcool aliado à direção. E também educativas, como os programas ‘Se Beber, Não Dirija’ e do ‘Motorista da Vez’", enumerou.
Segundo Franco, esse tipo de trabalho leva tempo para surtir o efeito desejado, mas alguns números mostram que o caminho está correto. "Há dez anos tínhamos cinco mil atropelamentos por ano. Hoje esse número caiu para 3,7 mil", frisou.
O delegado Cássio Wzorek, que comanda a Delegacia de Trânsito em Londrina, aponta que o excesso de velocidade e a embriaguez são as principais causas dos acidentes com mortes. "A legislação hoje é mais rígida em termos de punição e uma amostra é que os números de autuações aumentaram. Mas, infelizmente, as violações continuam em virtude da falta de educação dos nossos motoristas", alfinetou o delegado.
Para o coordenador do Detran, a legislação de trânsito peca por ainda abrir espaço para a impunidade. "Muitos motoristas ainda se livram pelas brechas encontradas no CTB. É preciso reduzir a impunidade para aumentar o temor entre os motoristas infratores", apontou.
O comandante da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), tenente Alecsandro Luis Wolski, informa que a corporação tem intensificado as abordagens e blitze nos trechos mais perigosos e ainda utilizado radares. "A maioria dos acidentes acontece em trechos de retas e nos horários de maior fluxo. A fiscalização in loco nos pontos mais críticos já faz os motoristas diminuírem a velocidade e dirigirem com mais atenção", frisou. A 2ª Cia fiscaliza 2,5 mil quilômetros de rodovias que passam por 96 municípios do Norte do Paraná.
Em Londrina, 73 pessoas já morreram este ano vítimas de acidentes de trânsito, sendo 16 por atropelamento. O acidente grave mais recente ocorreu no domingo, quando o policial militar Levi Carneiro, de 29 anos, morreu após uma colisão na Avenida Brasília. A condutora envolvida no desastre foi autuada em flagrante, pois estaria embriagada e teria passado no sinal vermelho.

mockup