Homicídios cresceram 130% em 20 anos
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terça-feira, 13 de abril de 2004
Das agências 
Rio- O crescimento da violência urbana nas principais metrópoles brasileiras é tão assustador que já afetou até a expectativa de vida de seus habitantes. No Estado do RJ, calcula o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mortes por causas externas, principalmente homicídios, reduziram em quatro anos e um mês a esperança de vida dos homens ao nascer. No País, a perda é de dois anos e entre paulistas, de três. Entre 1980 e 2000, ocorreram 2 milhões de mortes por causas externas no Brasil, das quais 598,4 mil foram homicídios.
No mesmo período, a taxa de mortalidade por homicídios no Brasil, para ambos os sexos, cresceu 130%, passando de 11,7 para 27 por 100 mil habitantes. As mortes por causas externas incluem acidentes de trânsito, suicídios e outras não naturais.
O aumento da violência, segundo o presidente do instituto, Eduardo Pereira Nunes, é consequência de uma conjugação de fatores econômicos, geográficos e sociais. ''Nos últimos 20 anos, passamos por transformações que não levaram à expansão do emprego. Além disso, o aumento da população ficou concentrado nas regiões metropolitanas, onde as condições de habitação são geralmente precárias. Tudo isso pode fazer recrudescer a violência'', observou.
Ao comentar o assunto, o sociólogo Michel Misse, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), criticou: ''Todo mundo reclama que o policial é corrupto, mas na hora que o motorista é multado, muitas vezes, dá propina para resolver o problema.'' Misse coordena o Núcleo da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ.
Para Maria Fernanda Tourinho Peres, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), os índices do IBGE só reafirmam o crescimento da violência, principalmente dos casos de homicídio. Reduzi-los, avalia, exige medidas que vão muito além da compra de viaturas policiais e mudanças na lei e no sistema prisional. ''Precisamos de medidas estruturais para a redução da desigualdade social. É necessário criar programas preventivos de violência, oferecendo opções de educação, emprego e lazer.''


