Homicídios crescem mais entre negros
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O número de homicídios no universo dos jovens negros cresce mais do que no universo dos jovens brancos no Paraná, de acordo com o Mapa da Violência 2012 - a cor dos homicídios no Brasil, documento divulgado ontem e produzido pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir).
De acordo com o relatório, 390 negros foram assassinados no Estado em 2010, número 67,4% maior que os registrados em 2002, quando 233 negros foram mortos. No mesmo período, o crescimento do número de homicídios contra jovens brancos foi de 65,9%.
O aumento de assassinatos entre os negros paranaenses é quase três vezes maior do que o índice registrado na população jovem negra do Rio Grande do Sul, onde o crescimento no período alcançou 23,4%. Em números absolutos, o número de homicídios de jovens negros do RS - estado de população muito semelhante a do Paraná - alcançou 243 em 2010./
Três cidades paranaenses estão entre os 100 municípios com maiores taxas de homicídios de negros entre os 608 municípios com mais de 50 mil habitantes do país: Campo Mourão (24º), Foz do Iguaçu (75º) e Telemâco Borba (97º).
O estudo aponta que no Brasil o número de negros assassinados entre 2002 a 2010 chegou a 272.422. Neste período, enquanto o índice de homicídios na população branca subiu 5,6%, a taxa entre os negros cresceu 24,8%. No universo juvenil, a diferença é ainda mais gritante, aponta o relatório. Entre os jovens, a taxa de homicídio de brancos no período caiu 30,3%. Na população juvenil negra, a taxa subiu 3,5%.
Oito unidades da federação ultrapassaram a marca dos 100 homicídios para cada 100 mil jovens negros: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia e Pará. Os casos mais críticos ocorrem em Alagoas e Paraíba, onde o índice de homicídios de jovens negros é 20 vezes maior que a de jovens brancos.
''Há uma matança da juventude negra. É como se ocorressem oito grandes acidentes aéreos todos os meses somente com vítimas negras. São números brutais, relacionados também à violência policial. Infelizmente, suspeitos no Brasil têm cor'', comentou a presidente do Núcleo de Estudos Afro-Asiáticos e integrante do Conselho Nacional de Políticas de Igualdade Racial, Rosane Borges.
Os dados apresentados ontem por Julio Jacobo, autor do estudo, foram retirados dos censos demográficos, das pesquisas nacionais por amostra de domicílios do IBGE e do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. Segundo o autor, se somados apenas os homicídios de negros é possível colocar o país no 4º lugar do ranking mundial de violência.
Para Jacobo, os altos índices estão se tornando ''naturais'' e a educação é a principal alternativa para mudar o quadro. Ele explicou que o número de negros matriculados no Ensino Médio tem diminuído e que atualmente 8 milhões de jovens negros não estudam nem trabalham. Mais informações no www.mapadaviolencia.org.br


