Curitiba- Um remédio homeopático, composto de origem vegetal e animal, fabricado em um laboratório em Curitiba, e que não produz efeito colateral vem sendo receitado por médicos em todo País, como apoio no tratamento de doenças como câncer e Aids. Trata-se do Canova, que atua sobre as células de defesa do organismo, melhorando o sistema imunológico dos pacientes. O resultado é a redução de efeitos colaterias nos tratamentos contra o câncer e das doenças oportunistas nos infectados pelo vírus HIV.
A pesquisadora e professora do Departamento de Biologia Celular da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dorly Buchi, ressalta que o Canova não tem poder de cura. ''Não cura nenhum tipo de tumor, nem a Aids. Mas é importante lembrar que os remédios convencionais, alopatas, também não curam'', diz. Com essa afirmação ela se defende da posição adotada por médicos e cientistas, que ainda vêem o remédio com ressalvas.
O pediatra Romolo Sandrini Neto, por exemplo, prefere não receitar o medicamento para crianças tratadas na Unidade Pediátrica do Hospital de Clínicas (HC). ''Principalmente em medicamentos para a infância, é melhor seguir as orientações internacioanais'', justifica. A eficácia do remédio, no entanto, tem o respaldo não apenas de pesquisas feitas desde 1998 pelo laboratório Canova do Brasil, como de resultados positivos apresentados em dezenas de teses de especialização e mestrado elaboradas por profissionais da área médica.
Dorly conta que seu interesse pelo remédio foi despertado quando soube que um parente que estava com câncer no pulmão, usava o remédio há seis meses. ''Ele estava desenganado, os médicos tinham dado três meses de vida, ele não podia fazer quimioterapia, nem radio, nem cirurgia. Numa hora dessas você tenta de tudo, até benzedeira'', lembra. Desde então, ela passou a estudar o medicamento, tornando-se uma de suas defensoras. Hoje o remédio é utilizado por pelo menos 4 mil pessoas em todo País.
As pesquisas que derivaram no Canova, segundo ela, começaram há 60 anos, quando o argentino Francisco Canova começou a fazer misturas de medicamentos homeopáticos. Há oito anos, o laboratório Canova do Brasil, com sede em Curitiba, prossegue os estudos, e desde 2001 detém a patente do medicamento. Desde 1998, o Canova tem autorização por lei federal para ser comercializado como fórmula magistral. O remédio também já obteve autorização da FDA (Food and Drug Administration) para ser vendido nos Estados Unidos.
A medicação atua sobre os macrófagos, que são as principais células do sistema imunológico, ampliando suas funções. Essas células reconhecem o que existe de estranho no organismo e começam a trocar informações com outras células do sistema imunológico. As células de defesa passam, então, a produzir mais mecanismos de defesa seja contra as células tumorais malignas ou contra o vírus HIV, que causa a Aids.
''Quando usa-se medicação para matar as células tumorais, ela acaba eliminando também outras células, que fazem cair o cabelo ou sentir náuseas, por exemplo. Com a homeopatia, é reforçada apenas a defesa do organismo, dando chances de reagir contra um efeito colateral ou uma doença oportunista'', explica Dorly.
Como trata-se de fórmula, pode ser manipulado apenas por farmácias autorizadas e só é vendido mediante prescrição médica.

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