Homens serão alvo de campanha contra violência
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sexta-feira, 23 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De Brasília 
O governo federal lançou ontem campanha nacional de combate à violência contra a mulher. Pela primeira vez, o protagonista dos anúncios publicitários será um homem. A idéia é derrubar o mito de que apenas os homens pobres e rudes batem em suas mulheres. A maioria dos denunciados por agredir mulheres tem bons empregos e vive em família. ''Vamos mostrar a face dos agressores e não apenas mulheres machucadas'', explicou a presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), Solange Bentes Jurema. A idéia é que os homens se identifiquem e mudem o comportamento.
A campanha será veiculada a partir de domingo, quando se comemora o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher. O anúncio ocorreu um dia após os advogados da cantora mexicana presa no Brasil, Gloria Trevi, afirmarem que a cliente foi estuprada nas dependências da Polícia Federal, em Brasília. ''A denúncia não tira a credibilidade da campanha; mostra apenas que a violência sexual contra a mulher pode acontecer em qualquer lugar'', disse o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira.
A campanha, segundo Solange, também tem o objetivo de sensibilizar os profissionais da área de saúde, que devem orientar a mulher vítima de violência sobre seus direitos. Entre eles, o de receber gratuitamente a pílula do dia seguinte e o coquetel antiaids. Os médicos serão orientados a incentivar as mulheres a denunciar o agressor.
De acordo com levantamento das Delegacias Especializadas no Atendimento às Mulheres (Deams), em 1999 foram apresentadas 4.697 queixas de estupro. Pelos dados do CNDM, 40 mil mulheres são vítimas de agressões todos os anos no Brasil. No entanto, apenas 10% prestam queixa. Aloysio Nunes considera a taxa alta, mas que não reflete a realidade já que a maioria das vítimas não tem coragem de denunciar o criminoso.


