A ''falta de tempo'' é uma das grandes desculpas de quem é sedentário. E, em Londrina, também foi apontada por homens e mulheres como o principal motivo para não se exercitar, segundo levantamento encomendado pela FOLHA. Com 300 entrevistados, a pesquisa foi feita pelo Instituto Inbrape de Pesquisa e pela Ímpar Inteligência de Marketing, em cinco pontos da região central da cidade.
A pesquisa apontou ainda outros resultados interessantes: em Londrina, os homens (60,3%) se exercitam mais que as mulheres (42,1%), e as práticas preferidas são a caminhada (40,9%), o futebol (23,5%) e a musculação (15,4%).
Para as professoras de educação física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) Márcia Aversani, coordenadora do curso, e Lilian Barazetti, os números sobre a prática de atividade física estão altos. ''Há estudos que apontam que 80% da população é sedentária'', explica Lilian.
Os números altos, segundo o diretor do Centro de Educação Física (CEF) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Dartagnan Pinto Guedes, podem ser explicados pelo conceito que cada um tem do que é atividade física.
Segundo padronização da Organização Mundial da Saúde (OMS), é qualquer movimento do corpo provocado pelos músculos que gera um gasto de energia maior que em repouso. Só que, para que tenha impacto na saúde, deve ser feito com intensidade moderada a vigorosa por 30 minutos ao dia. Ou de maneira regular, três vezes por semana.
Outro parâmetro que mostra se a pessoa é ou não sedentária é a quantidade de passos que ela dá em um dia. Medidos através de um aparelho chamado pedômetro, são necessários 10 mil passos ao dia, para que a pessoa seja considerada ativa.
''Se a pessoa joga futebol só uma vez por semana não vai melhorar a qualidade de vida em termos biológicos'', aponta Lilian. ''Mas mesmo não sendo o ideal é melhor que não fazer nada'', opina Márcia. O futebol, entre os homens, foi mostrado na pesquisa como a atividade física mais praticada (38,6%), mas da maneira como é feita nem sempre é saudável.
As professoras explicam que o futebol do fim de semana não é considerado esporte, mas lazer, e em alguns casos pode até prejudicar a saúde. Isto porque a intensidade do esforço não é feita gradualmente, o que pode causar um estresse orgânico. ''Esse esforço elevado pode causar uma série de problemas musculares e até fraturas, diferentemente da caminhada, onde o esforço é gradual'', explica Lilian.
A escolha dos homens pelo futebol, explica Guedes, também é cultural. ''A tendência da mulher de não entrar em esportes de competição é uma questão cultural, ao contrário do homem, que valoriza o espírito competitivo'', explica.
As professores lembram que, quando a atividade física é sistematizada, como a musculação, há orientação de profissional da área. Na pesquisa feita em Londrina, a maioria dos entrevistados (68,0%) não recebe orientação profissional na prática de atividade física. A orientação, segundo Lilian, é fundamental para prevenir lesões musculares, decorrentes da falta de alongamento, e acidentes cardiovasculares mais sérios, e também para que a atividade surta efeito. ''Às vezes a pessoa reclama que está caminhando e não emagrece, mas ela pode estar fazendo o exercício de maneira não efetiva'', aponta.

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