Homens são meros coadjuvantes
As Karen-Padong passam grande parte do dia sentadas do lado de fora de suas casas. Ali, na frente dos turistas, tecem tapetes, amamentam seus filhos, lavam roupa, tomam banho (vestidas com cangas) e fazem artesanato que irão vender aos visitantes. Muitas exibem uma atitude blasé, meio de enfado, talvez por ficarem tão expostas, talvez para tentarem manter um pouco da privacidade.
Na verdade, não se parecem com vítimas do mundo moderno e, de maneira geral, são boas comerciantes. Algumas não concordam em tirar fotos caso não seja comprado algum produto de sua banca, uma bonequinha de mulher-girafa que seja. Mas não é maioria. E para entrar nos vilarejos é cobrada uma taxa de em média US$ 9,00.
Elas sabem que hoje dependem dos turistas para sobreviver. As mais jovens já estão acostumadas ao intenso fluxo de estrangeiros em suas vidas desde que nasceram. Enquanto muitos falam em ''zoológico humano'', as Karen-Padong parecem não se importar com a situação. Quase todas as outras tribos do norte, incluindo as Karen-Brancas, vivem em condições precárias e elas próprias estariam na miséria caso ainda estivessem em Mianmá.
Os homens, nesta história, parecem meros coadjuvantes. Não têm ''pescoço longo'', vestem-se com trajes ''normais'' e não têm nada que desperte maior atenção. Não é incomum vê-los sentados na redes, tirando um cochilo ou jogando prosa fora enquanto as mulheres trabalham.(A.E.)





