Homens pretos e pardos se tornam pais antes e têm mais filhos
Pesquisa do IBGE indica que lógica vale para quem tem pouco estudo e está nas menores fatias de renda
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 2021
Pesquisa do IBGE indica que lógica vale para quem tem pouco estudo e está nas menores fatias de renda
LEONARDO VIECELI 
Rio - Um novo estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que homens pretos ou pardos costumam ter mais filhos e viram pais mais cedo, na comparação com o restante da população. A mesma lógica também vale para quem tem pouco estudo ou está nas menores fatias de renda, indica a PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) 2019, divulgada nesta quinta-feira (26). O estudo inclui novos recortes de dados frente à edição anterior, de 2013. O levantamento, contudo, ainda não capta os reflexos da pandemia de coronavírus na área de saúde, já que a Covid-19 chegou ao país em 2020.

Uma das novidades da pesquisa é justamente o retrato sobre os homens de 15 anos ou mais que já tiveram pelo menos um filho. Conforme o estudo, pais pretos ou pardos tinham, em média, 25,1 anos quando o primeiro filho nasceu. A marca entre os brancos foi maior, de 26,8 anos. A média de filhos entre os homens pardos que já eram pais ficou em 2,8. Pretos vieram logo na sequência, com 2,7. Já entre os brancos, o número foi de 2,4.
No recorte por nível de escolaridade, os dados apontam que homens com ensino fundamental completo e médio incompleto tinham 24,6 anos quando viraram pais. É a menor marca da pesquisa. Já os homens sem instrução ou fundamental incompleto se tornaram pais com 25,1 anos. Já brasileiros com ensino superior completo, por sua vez, viraram pais mais tarde. A média nesse grupo foi de 27 anos.
Segundo o IBGE, o número de filhos foi superior entre os pais sem instrução ou fundamental incompleto: 3,5. Entre os homens com ensino superior completo, a marca foi de 2 filhos. Quando a variável é nível de renda, os brasileiros com renda domiciliar per capita inferior a um quarto do salário mínimo ingressaram na paternidade antes, com 24 anos, e eram os que tinham o maior número de filhos (3,1). Na faixa de renda mais alta da pesquisa, com rendimento domiciliar per capita de mais de um salário mínimo, a idade era maior (26,7 anos), e a média de filhos, menor (2,4). Os dados também trazem recorte por região. Segundo o estudo, homens do Norte e do Nordeste viraram pais antes e tinham mais filhos.
Outro módulo pesquisado pela PNS é o da saúde da mulher. De acordo com o estudo, em torno de 80,5% das mulheres de 15 a 49 anos sexualmente ativas usavam algum método para evitar a gravidez em 2019. A fatia de 40,6% considerava a pílula anticoncepcional como o método mais eficaz. Em seguida, vinham a camisinha masculina (20,4%) e a laqueadura (17,3%).
No Brasil, 4,7 milhões de mulheres de 15 anos ou mais tiveram filhos entre 29 de julho de 2017 e 27 de julho de 2019. No parto, 87,2% foram atendidas por médicos, 10,4% por enfermeiros e 1% por parteiras. O levantamento também indica que, em 2019, 81,3% das mulheres entre 25 e 64 anos haviam realizado o exame preventivo para câncer de útero no período de menos de três anos. Enquanto isso, 6,1% nunca haviam feito o procedimento. De acordo com o IBGE, cerca de 58,3% das mulheres de 50 a 69 anos haviam realizado mamografia nos últimos dois anos. O percentual foi ligeiramente mais alto do que o verificado em 2013 (54,3%).


