Homens estão mais preocupados com a saúde
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domingo, 22 de agosto de 2010
Fernanda Carreira<BR> Reportagem Local 
''Como estará minha saúde quando eu completar 50 anos? Como estarei ao me aposentar?'' Foram essas as perguntas que levaram Carlos Eduardo Costa, 40 anos, docente, a fazer um investimento em seu futuro. O professor decidiu mudar radicalmente seu estilo de vida, quando aos 38 anos, se viu com dores na região lombar, crises de enxaqueca e quadros de acidez estomacal. A partir daí, ele começou a prática regular de atividade física e mudou sua alimentação. ''Além disso, fui ao cardiologista e pretendo visitá-lo todo ano, quero chegar aos 90 anos saudável e independente'', diz.
Renan Massambani, pastor da igreja metodista, também mudou seus hábitos de vida quando o mal-estar começou a influenciar no desempenho de seu trabalho. ''Tive alteração nos exames de tireóide e colesterol'', comenta. Foi assim que o pastor passou a realizar atividades físicas e exames anuais, desde os 35 anos, para controlar as taxas. ''A reposição hormonal influencia diretamente no ânimo e na disposição para enfrentar o dia-a-dia. E com a redução de peso, vivo com melhor qualidade de vida'', destaca.
Assim como eles, muitos homens têm se preocupado mais com o próprio bem-estar, é o que revela dados do Ministério da Saúde. De acordo com o Sistema Único de Sáude (SUS), tem avançado o crescimento da quantidade de exames de próstata realizados pelo Sistema. De 2003 a 2009, triplicou o número de testes que detectam uma possível atividade anormal da próstata. A quantidade de PSAS (Dosagem de Antígeno Prostático Específico) realizadas na rede pública de saúde saltou de um para três milhões nesse período.
Mas, afinal, o que tem levado os homens a se preocupar mais com a saúde? Segundo Lauro Brandina, urologista, a procura do homem pelos serviços de saúde tem aumentado graças aos esclarecimentos maiores que se tem hoje sobre os problemas acarretados para os homens quando não realizam exames periódicos. De acordo com ele, esse hábito de evitar ir ao médico, característico dos homens até então, deve-se, sobretudo a razões culturais. ''O homem sempre se viu como um ser forte, imune a certas doenças, e não quer demonstrar o que interpreta como fragilidade'', explica.
O urologista esclarece que os homens correm sim muitos riscos quando não se previnem. Segundo ele, a incidência de mortalidade no sexo masculino é bem maior do que no sexo feminino. A cada três adultos que morrem, dois são homens. Além disso, eles vivem, em média, sete anos menos que as mulheres. ''Isso porque eles são mais propensos a terem certas doenças, como por exemplo, do coração, diabetes, acidentes vasculares cerebrais e vários tipos de câncer'', alerta.
No entanto, Brandina observa que a preocupação do homem com a saúde é um quadro que vem mudando ano após ano. E isso pode ser evidenciado por uma pesquisa realizada por ele juntamente com o Canadá Pesquisa. Em um período de 15 anos, eles avaliaram 1000 homens, em três ocasiões diferentes, com intervalos de 5 anos. Os pesquisados foram classificados de acordo com a idade e o grau de instrução. ''Constatamos que a porcentagem dos que fazem exame periódico de próstata foi de 7,5% da população em 1994, 15,9% em 2004 e 27% em 2009'', analisa.
Apesar do avanço, o especialista avalia que os números ainda estão muito longe dos de países mais desenvolvidos, onde praticamente toda a população de homens faz o exame. Segundo o urologista, ainda falta muito esclarecimento e campanhas de sensibilização, apesar das iniciativas do governo, pois os piores resultados foram evidenciados em população de menor instrução.
''Uma coisa que ajudaria muito seria as empresas estimularem seus funcionários a realizar os exames periódicos e até exigirem, porque isso é muito importante até do ponto de vista trabalhista, porque um paciente que venha a ter câncer de próstata vai parar de produzir em um prazo curto'', comenta o médico.


