Um ato ecumênico em memória dos três meses de assassinato do jornalista Tim Lopes realizado ontem, no largo da igreja da Penha, circundado pelas favelas dos complexos da Penha e do Alemão (zona norte do Rio), serviu involuntariamente para demonstrar a força do narcotráfico.
Não havia qualquer representante das associações de moradores da região entre as cerca de 200 pessoas que compareceram ao ato. Para Nacif Elias, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio, a ausência é a prova ''da existência de um poder paralelo''. Segundo ele, os moradores teriam sido proibidos pelos traficantes de participar da cerimônia.
O ato foi o primeiro de uma série de protestos realizados desde o desaparecimento do jornalista, no dia 2 de junho, a ocorrer na região da favela Vila Cruzeiro, onde Lopes foi morto por traficantes.
Durante o ato, integrantes da ONG Anjos da Guarda conseguiram captar num rádio as conversas por walk-talkies dos traficantes da região. Eles negociavam a venda de drogas enquanto a cerimônia transcorria. Segundo Henrique Maia, membro da ONG, traficantes teriam comentado a chegada dos carros de reportagem. ''Estou vendo a movimentação dos carros subindo. Olha a Globo ali'', teria dito um traficante por rádio.

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