Belfast, Irlanda do Norte, 22 (AE-AP) - Um dirigente do Exército Republicano Irlandês (IRA) que há 15 anos quase matou num atentado à bomba a então primeira-ministra britânica, Margareth Thatcher, foi libertado hoje do presídio de segurança máxima de Maze, ao sul de Belfast, como parte do acordo de paz da Irlanda do Norte, celebrado em abril do ano passado.
Patrick Magee, de 47 anos, cumpriu 14 dos 35 anos de prisão a que foi condenado. É o 277º prisioneiro político - e o mais importante - a ser posto em liberdade como parte do acerto entre católicos e protestantes. Na saída, foi saudado por simpatizantes republicanos, mas não quis dar entrevistas à imprensa.
Magee ganhou o apelido de "bombardeador de Brighton" por ter tomado parte numa das mais audaciosas ações do IRA na Inglaterra: a colocação no dia 2 de outubro de 1984 de uma bomba de elevada potência no Grand Hotel de Brighton, cidade costeira no sul da Inglaterra, onde o Partido Conservador, na época liderado por Thatcher, realizava sua convenção anual.
A explosão, à noite, causou a morte de cinco pessoas, incluindo um parlamentar conservador, feriu 31 e poderia ter matado a primeira-ministra, se ela estivesse no banheiro de sua suíte, no primeiro andar, - onde a bomba fora plantada - ou em uma área próxima, como previam os terroristas.
Mas Thatcher, já conhecida então como a Dama de Ferro, não sofreu nenhum arranhão. Em vez de preparar-se para dormir - como ela própria relatou depois do atentado -, estava sentada em uma cadeira para ler um relatório elaborado por um de seus assessores. A explosão abriu um enorme buraco na fachada do hotel.
"Todos os seis andares desabaram em cascata sobre a suíte da sra. Thatcher. Ela escapou por muito, muito pouco", comentou na época o gerente do Grand Hotel. O IRA assumiu a autoria do atentado, cujo alvo era Thatcher.
A primeira-ministra não se mostrou abalada. Manteve a fleuma britânica e a fama de Dama de Ferro determinando que a conferência prosseguisse normalmente.

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