Roma, 14 (AE) - Agca Mehmet Ali Agca, o homem que tentou matar o papa João Paulo II no dia 13 de maio de 1981, poderá sair da prisão em breve. Uma declaração da Santa Sé à magistratura italiana dizendo que nada tem em contrário, deve acelerar o processo de concessão da clemência pedida pelo cidadão turco, condenado à prisao perpétua.
O presidente italiano, Oscar Luigi Scalfaro, anunciou que não se trata de um caso difícil se ele se comprometer em voltar para a Turquia.
Em seu país, Ali Agca é condenado a 10 anos de prisão pelo homicídio de um jornalista e por isso há um pedido de extradição das autoridades turcas.
Membro dos "lobos cinzentos" - organização nacionalista turca de extrema direita formalmente ilegal mas ligada a setores militares e serviços de inteligência, Agca concorda em voltar para sua terra.
A decião do Vaticano nao é recente. Trata-se de uma resposta, entregue por vias diplomáticas no ano passado, ao ex- ministro da Justiça Giovanni Maria Flick. Ele pedia para saber a posição da Santa Sé sobre este propósito porque estava-se dando início ao exame do pedido feito por Ali Agca. Só agora a notícia foi divulgada e o porta-voz do papa, Joaquin Navarro Valls, anunciou para essa semana informações oficiais sobre o assunto.
Desde o início o Vaticano confiou o caso completamente à Justiça italiana, que tem a jurisdição sobre os crimes que ocorrem na Praça São Pedro, apesar de se tratar de território vaticano.
O perdão do papa ao terrorista turco, como ato de misericórdia cristã, foi comunicado publicamente 4 dias após os disparos, do hospital Gemelli, onde estava internado. Em 1983, João Paulo II o encontrou pessoalmente na prisão e desde então Ali Agca pediu várias vezes a clemência à Justiça italiana e a intercecção do papa para obtê-la.
No ano passado, seu irmao esteve com o Santo Padre pedindo apoio e naquela ocasião a posição do Vaticano era diferente. O secretário do pontífice, monsenhor Stanislaw Dziwiz, que presenciou o encontro, lhe disse: "Fizemos todo o possível, mas Ali Agca ainda não disse tudo. Antes deve dizer toda a verdade".
Numa carta do dia 26 de fevereiro, Agca volta a pedir que em vistas do Jubileu o papa o ajude a obter a liberdade para voltar a Turquia. Na prisão há 18 anos já teria, segundo a legislação da Italia, condições de ser beneficiado com a semi-liberdade.
Quase vinte anos depois do atentado, permanece o mistério sobre a operação que devia levar ao assassinio do pontífice. A Justiça não conseguiu esclarecer quem estava por trás do terrorista turco que tinha a missão de eliminá-lo. Ali Agca, que em seus primeiros interrogatórios deu sinais de desequilibrio dizendo que era Jesus Cristo, jamais contou tudo o que sabia. Forneceu várias versões nao comprovadas: pista búlgara, operação da KGB, complô da CIA. Segundo a última, o único responsável seria ele.

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