Homem que denunciou Judiciário tem proteção da PF
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 09 (AE) - O responsável pela intervenção do Tribunal Superior do Trabalho (TST) na justiça trabalhista da Paraíba, o advogado e técnico do judiciário Antonio de Pádua Pereira Leite, conta a partir de hoje com a proteção da Polícia Federal. Ele pediu ajuda ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), após receber ameaçar por conta das denúncias de nepotismo, superfaturamento de obras e outras irregularidades cometidas pelos juízes e outras autoridades do Tribunal Regional do Trabalho (TRE) do Estado.
Naquele tribunal, segundo informou, 565 funcionários foram contratados sem concurso público. Todos seriam parentes de juízes. Ele será convidado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito, instalada na quinta-feira, que vai investigar o Poder Judiciário.
Pádua Leite ajuizou seis ações populares contra atos de juízes envolvidos no esquema. Fez ainda 11 denúncias no Tribunal de Contas da União (TCU), sendo 10 julgadas procedentes. Além das ameaças que vem recebendo por telefone, o técnico do judiciário foi agredido em novembro pelo diretor de controle interno do TRT, Baltazar Pequeno. Nos telefonemas, vozes de homem ameaçam "acabar com a vida" do técnico se perderem o emprego ou ainda "dar um jeito" em seus familiares.
ACM encarregou o diretor de diretor de segurança do Senado, Alberto Nogueira Viana, de pedir garantia de vida à Polícia Federal para Pádua Leite. De acordo com o técnico do judiciário, o juiz Ruy Eloy, colocado como presidente interino e interventor pelo TST no TRT da Paraíba, piorou a situação. Ele apresentou 16 representações contra o juiz e todas elas foram acolhidas pela Procuradoria- Geral da República. O caso está no Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde tramita em sigilo, graças ao privilégio concedido aos juízes que a CPI pretende acabar.
O presidente interino do TRT contratou seus filhos Rodolpho e Romeyka e a sua nora Marília. Outra denúncia contra ele é a de ter determinado o pagamento de exorbitante gratificações a cinco servidores do TRT, correspondente a 70% o valor total da arrecadação das inscrições do concurso, sem descontos previdenciários ou fiscais. O próprio Ruy Eloy teria sacado para uso próprio dinheiro arrecadado na inscrição dos concursos.


