Homem negro morre após ser espancado por seguranças do Carrefour

Caso foi registrado em loja do Carrefour em Porto Alegre e gerou protestos em várias cidades do País

Cristina Camargo e Paula Sperb – Folhapress
Cristina Camargo e Paula Sperb – Folhapress

São Paulo e Porto Alegre - A polícia de Porto Alegre (RS) investiga o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, que foi espancado até a morte por dois seguranças de uma loja do supermercado Carrefour localizada no bairro Passo d'Areia, na zona norte da cidade. 

Manifestantes protestam contra morte de homem negro no Carrefour na zona norte de Porto Alegre
Manifestantes protestam contra morte de homem negro no Carrefour na zona norte de Porto Alegre | Marcelo Oliveira/MP/Folhapress
 


Vídeos que mostram o espancamento em frente à loja e a tentativa de socorristas de salvarem o homem, conhecido como Beto, circulam nas redes sociais desde a noite de quinta-feira (19) e provocam mobilização contra o racismo. 




Beto morreu na véspera do Dia da Consciência Negra, comemorado ontem, em referência à morte de Zumbi, o líder do Quilombo dos Palmares, localizado entre Alagoas e Pernambuco. 


"Ainda nas primeiras horas dessa data, estamos falando sobre mais um episódio brutal de racismo e de novo no Carrefour. De 20 de novembro a 20 de novembro e todos os dias, a estrutura racista deste país nos traz brutalidade como regra", reagiu Raull Santiago, ativista e fundador da Agência Brecha. 


Milena Borges Alves, 43, companheira de Beto que estava com ele no supermercado, disse a jornalistas que depois de fazerem as compras, ele fez um aceno em tom de brincadeira para a funcionária do caixa e saiu do mercado. Milena, depois de pagar pelas compras, saiu do local, e viu o marido ainda consciente sendo agredido. "Ele disse: me socorre, Milena", contou a mulher à Band News. 


O Carrefour, por meio de sua assessoria de imprensa, definiu a morte como brutal e anunciou que romperá o contrato com a empresa responsável pelos seguranças. Informou também que vai demitir o funcionário responsável pela loja na hora do ocorrido. 


"O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso", diz a nota divulgada pelo supermercado. "Em respeito à vítima, a loja será fechada. Entraremos em contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário." 


Os dois homens acusados de agressão foram presos em flagrante por homicídio. A polícia passou a madrugada ouvindo testemunhas. 


Em agosto deste ano, a reação à morte de um representante de vendas em uma loja da rede de supermercados em Recife (PE) provocou críticas. O corpo do homem foi encoberto com guarda-sóis, tapumes e fardos de cerveja e o supermercado continuou funcionando. Na ocasião, o Carrefour disse que foi um erro não fechar a loja imediatamente. 


O episódio foi o segundo a ter forte repercussão em redes sociais envolvendo a rede varejista. Em 2018, a morte da cadela Manchinha, vítima de agressão em uma loja do Carrefour em Osasco (Grande São Paulo), gerou protestos em frente à loja e uma investigação policial. 


O caso gerou uma onda de protestos em várias cidades do País, incluindo Londrina. O assassinato de Beto já tem sido comparado com o assassinato de George Floyd, um homem negro morto por sufocamente nos Estados Unidos em uma abordagem policial.  




No caso de João Alberto, os seguranças chegaram a ficar em cima dele, nas costas, segundo a delegada Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre. Esse tipo de contenção dificulta a respiração.

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