Brasília - Um ex-secretário municipal do interior do Tocantins provocou nesta segunda-feira, em Brasília, uma operação policial considerada sem precedentes por autoridades de segurança pública, com helicópteros e cerca de 150 homens das Polícias Civil, Militar, Federal e da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Jack Souza dos Santos, de 30 anos, tomou como refém um funcionário do Hotel Saint Peter, no centro da capital federal. Obrigou a vítima a vestir um suposto colete bomba e apareceu em uma varanda do 13º andar mostrando uma pistola.
A ação durou cerca de sete horas. As autoridades trabalharam durante todo o tempo com a hipótese de a bomba ser verdadeira e o sequestrador matar a vítima. Após o fim do sequestro, por volta das 16h20, a Polícia Civil e a Polícia Militar do Distrito Federal analisaram a arma e o colete-bomba e divulgaram que os dois artefatos eram falsos. A pistola era de brinquedo e a falsa dinamite era feita com tubos de PVC preenchidos com terra. "A gente trabalhou com o pior dos cenários", justificou o delegado Paulo Henrique Almeida, chefe da Comunicação Social da Polícia Civil.
Após ser preso em flagrante, Santos foi indiciado por sequestro agravado porque, de acordo com as autoridades, provocou "grave comprometimento" da vítima, que "achou que ia ser ou alvejada ou explodida". O crime, segundo Almeida, é inafiançável e pode ser punido com prisão de 2 a 8 anos. O delegado disse que Santos deve responder ao processo preso em Brasília.
Souza dos Santos foi suplente de vereador pelo Partido Progressista (PP) na cidade de Combinado, no interior do Tocantins. Foi também secretário municipal de Agricultura até o ano de 2012.
Quando o sequestro durava aproximadamente três horas, a Polícia Civil divulgou que Santos dizia estar praticando o ato criminoso para cobrar a extradição para a Itália do ex-ativista de esquerda Cesare Batistti, a aplicação efetiva da Lei da Ficha Limpa e a realização de uma reforma política.
Santos manteve a vítima em um quarto localizado no 13º andar do hotel. O local escolhido foi o mesmo que ofereceu emprego para o ex-ministro José Dirceu em 2013, após ele ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso do mensalão.

mockup