Joaquim Távora – O dia de ontem foi de tensão em Joaquim Távora (Norte Pioneiro). A cidade praticamente parou para acompanhar o caso de um mototaxista que manteve a ex-mulher e parentes dela reféns. Até o fechamento da edição, Joelson Gomes Ferreira, de 28 anos, mantinha a ex-mulher e o filho do casal, de 5 anos, sob ameaça. A residência estava cercada por policiais, que negociavam a liberação das vítimas. A sogra de Ferreira e uma garota de 13 anos que também foram feitas reféns já haviam sido libertadas.
O homem veio de táxi de Curitiba para procurar a mulher sob a alegação que se sentia sozinho na capital e não conseguia ver o filho. A negociação envolveu mais de 30 policiais de grupos especializados como o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), Esquadrão Antibombas e atiradores de elite.
O relacionamento de Ferreira e Lidiane Soares, de 27 anos, sempre foi tumultuado.
Lidiane já havia registrado vários boletins de ocorrência de agressão e ameaça do marido, mas nunca quis processá-lo.
Há três anos a união chegou ao fim e há um ano e meio Lidiane voltou para a casa dos pais em Joaquim Távora. Ao sair para o trabalho, por volta das 6h30 de ontem, a mulher foi abordada pelo ex-marido armado. Lidiane foi agredida e Joelson Ferreira invadiu a casa e fez todos reféns.
"Ele reclamou que não estava conseguindo ver o filho nos últimos tempos e isso o motivou a praticar o crime", relatou o tenente-coronel Neriano Mariano de Melo, do Bope, que comandou as negociações. Durante todo o dia a negociação foi feita através de celular. Vários quarteirões em torno da casa, localizada na Rua Munhoz de Melo, na Vila Nova, foram bloqueados.
Joelson Ferreira em muitos momentos relatou que queria aparecer na mídia. "No período da manhã ele falou que tinha pouca imprensa e queria esperar a chegada da mídia de toda a região para o caso ter mais repercussão", relatou o delegado de Joaquim Távora, Rubens José Perez. "Ele chegou a falar que queria ultrapassar as 100 horas do sequestro do caso Lindemberg", referindo-se ao sequestro seguido de morte que aconteceu em Santo André, na Grande São Paulo, em 2008, e vitimou Eloá Pimentel, de 15 anos.
O autor do sequestro mostrou-se calmo durante toda a negociação e em nenhum momentos deu sinais de arrependimento. "Ele ficou o dia todo brincando com o filho no computador", ressaltou o tenente Neriano.
Os reféns foram sendo liberados aos poucos. No início da tarde foi liberada a adolescente e por volta das 18h30 a sogra de Ferreira, Lídia Soares, de 65 anos, também deixou a casa. Nenhuma das vítimas sofreu ferimentos.
"Sempre falamos a verdade com ele e garantimos a sua integridade física. Optamos por vencê-lo pelo cansaço e para proteger as vítimas", explicou o comandante do Bope.
Joelson Gomes Ferreira pode responder pelos crimes de cárcere privado, porte ilegal de arma e de explosivos. Se for condenado, pode pegar mais de dez anos de prisão.

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