Homem irritado impede homenagem a Marighella
Agência Estado
De São Paulo
Um homem, que se identificou como o oficial da reserva do Exército Edgard Saleme, impediu ontem a colocação de uma pedra gravada em homenagem ao líder guerrilheiro Carlos Marighella, na altura do número 815 da Alameda Casa Branca, nos Jardins, em São Paulo, onde ele foi morto em 1969. Se for preciso, darei até tiros. Não quero um monumento a um bandido em frente da minha casa, teria dito.
O granito polido traz a inscrição Aqui tombou Carlos Marighella, assassinado em 4 de novembro de 1969 pela ditadura militar. Em razão da reação do suposto oficial da reserva, a obra foi deixada sobre a calçada, em vez de ser instalada sob uma árvore, como pretendia seu autor, o arquiteto Marcelo Carvalho Ferraz.
Para Ferraz, não se trata de uma questão ideológica. O Estado reconheceu a culpa pelo assassinato e indenizou a família de Marighella. Ele entende que o local é um marco na história de São Paulo e do Brasil.
Para hoje, às 11 horas, está marcada a realização de um ato público pelos 30 anos da morte de Marighella, justamente no local onde ele foi morto. Naquela data, por volta das 20 horas, moradores e pessoas que passaram pela Alameda Casa Branca ouviram um tiroteio. Depois, viram agentes do extinto Departamento de Ordem Política e Social (Dops), da Polícia Federal, da Operação Bandeirante, da Força Pública, da Guarda Civil e da Polícia Civil, armados com metralhadoras, rifles e revólveres e, num automóvel Volkswagen, o corpo de Marighella.





