São Paulo, 4 (AE) - O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho, demitido hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, era considerado um dos "homens fortes" do governo tucano. Amigo íntimo do ministro da Saúde, José Serra, Carvalho contou ainda com a indicação do então ministro das Comunicações, Sérgio Motta, para assumir a chefia da Casa Civil da Presidência.
Foi na Casa Civil que "o xerife", como era conhecido o ex-seminarista e engenheiro Clóvis Carvalho, formado pela Escola Politécnica da USP, de 60 anos, 1,75 metro de altura e 80 quilos
colheu inúmeros desafetos. Chamado pelo ex-secretário da Receita Federal, Osíris Lopes Filho, de "imbecil", em 1995, percebe-se que não é de hoje que Carvalho é uma figura polêmica. Lopes acusava o então chefe da Casa Civil de estar a serviço da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp).
Carvalho sempre esteve próximo às lideranças tucanas, mesmo antes de existir o PSDB. Durante o governo Franco Montoro (PMDB), em São Paulo, em fevereiro de 1986, Carvalho foi nomeado secretário do Planejamento do Estado de São Paulo. Estavam presentes à sua cerimônia de posse, em 1986, José Serra, Fernando Henrique e o atual ministro da Justiça e Cidadania, José Carlos Dias, o que demonstra o prestígio do ex-ministro no alto escalão do governo tucano.
Villares - Pessoas que iam ao Palácio do Planalto ou mesmo conheciam o ex-ministro de suas antigas atividades na Villares - onde trabalhava diretamente com o presidente da empresa na época, o engenheiro Paulo Villares - lembram aspectos pouco elogiosos. "O Clóvis dava mais importância a si do que deveria, agindo em alguns casos autoritariamente e em outros rudemente, não respeitando as pessoas", conta um empresário.
Um executivo chegou a afirmar que ele era da Casa Civil, "mas não tinha cintura alguma" em situações em que se exigia muita habilidade. "Uma eminência parda no primeiro mandato e no segundo também, e agora, fora do governo, será um alívio para o próprio governo."

mockup