A coordenadora do Centro Brasileiro de Defesa do Direito da Criança e do Adolescente, advogada Cristina Leonardo, que acompanhou o caso da chacina da Candelária, afirmou que Sandro Nascimento seria um sobrevivente. Na chacina, em 1993, oito menores foram mortos por policiais no centro do Rio.
Nascimento havia sido condenado duas vezes e deveria, segundo o Tribunal de Justiça, estar cumprindo pena até julho de 2002. Conhecido pelo apelido de Etnia, faria 22 anos em 7 de setembro. Nascimento foi morto ontem por asfixia mecânica.
Ele conseguiu fugir da carceragem da 26ª Delegacia Policial, em janeiro do ano passado. Em 1997, foi condenado a dois anos de prisão por furto qualificado e chegou a cumprir pena, mas conseguiu escapar da cadeia.
Reincidente, Nascimento foi condenado a três anos e seis meses por tentativa de roubo e porte de drogas, em 1998. Não chegou a ser encaminhado para qualquer presídio do Estado. Continuou detido na 26ª DP, de onde escapou.
De volta às ruas, Nascimento refugiou-se em uma favela. Ele estaria envolvido com o tráfico de drogas. Segundo relato dos reféns, ele estava bastante transtornado durante o sequestro, provavelmente sob efeito de drogas.
Ele afirmou que ‘‘não tinha nada a perder’’ por já ter visto a mãe, o pai e a irmã, de sete anos, morrer. A criança teria sido degolada no mesmo dia em que ele tomou o ônibus - o que não foi registrado pela polícia. (AE)

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