A reabertura das investigações em torno da morte do empresário alagoano Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino, trouxe ao noticiário um homem misterioso. Depois de bater à porta das redações de jornais em Curitiba e São Paulo, ele foi notícia na revista ‘‘Isto ɒ’ desta semana. Uma entrevista reproduz o que ele já dissera aos jornalistas paranaenses. Garantia ser o homem-chave para esclarecer a morte do casal e o esquema de dinheiro sujo. Até agora, porém, não passa de um malandro ou lunático - um grande mentiroso.
Armando de Oliveira Vianna (ou Ailton Lopes, como se identificou à revista), procurou a Folha insistentemente, na semana passada, para contar que seria a testemunha que faltava para se esclarecer, de vez, o caso PC. O que ele contou, do alto de um raciocínio muito bem articulado, fez pensar que era um trote, mas, com boa vontade, até poderia ser verdade.
O que ele relatou: nascido em Londrina, Vianna, de 58 anos, engenheiro e economista formado em Curitiba, trabalhou como consultor em Maceió, de 1982 até o dia 8 deste mês, quando foi vítima de um atentado a bala e fugiu para Curitiba. Foi um dos caixas de PC Farias, com conta na Alemanha, e fazia vários pagamentos em dólar, para Fernando Collor, em Miami (US$ 100 mil), e para o irmão do tesoureiro, Augusto Farias, inclusive.
E mais: esteve com PC na casa de praia dele, horas antes de sua morte, e na manhã seguinte ao crime, quando viu Suzana Marcolino viva. Ela teria sido morta depois, a mando do irmão de PC. Seu depoimento, com garantias de vida, mudaria os rumos da história. E mais grave: Armando Vianna dizia ainda acreditar ter enviado US$ 300 mil para o legista Badan Palhares numa conta, sem nome do titular, em Nova York.
O diretor de redação de ‘‘Isto ɒ’, Hélio Campos Mello, disse ontem ter desconfiado da história da misteriosa testemunha. ‘‘Por via das dúvidas, pagamos passagem e hospedagem em São Paulo para a entrevista. No dia seguinte, um sábado, ele tomou um café da manhã de oito reais e sumiu. Este foi o nosso único prejuízo.’’ Mello resolveu usar a história de ‘‘Ailton Lopes’’, que até se deixou fotografar. ‘‘Tivemos o cuidado de colocar tudo no condicional, depois de checarmos informações que não bateram’’, disse o jornalista. ‘‘É mais uma história no caso PC.’’
Não foi a primeira e não será a última vez que estranhos personagens procuram veículos de comunicação para se transformar em protagonistas de alguma história importante. O famoso ‘‘Deep Throat’’, do caso Watergate, se é que existiu, mudou a história dos Estados Unidos. Armando Vianna, Ailton Lopes ou seja lá que nome ele tenha pode até estar falando alguma verdade na essência, mas não mostra documentos que diz ter e fornece informações que não conferem. Se queria virar notícia, conseguiu. Mas até prova em contrário não passa de uma piada sem graça.

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