Londrina - Jogar uma cadeira de rodas contra uma divisória de vidro na recepção do Pronto-Socorro (PS) do Hospital Universitário (HU) de Londrina foi a forma que o filho de um paciente encontrou para manifestar sua revolta por causa da demora no atendimento na madrugada de ontem. O homem se apresentou espontaneamente na 10Subdivisão Policial e vai responder na Justiça por danos ao patrimônio público. O nome dele não foi divulgado pela polícia nem pelo hospital.
Segundo a assessoria de imprensa do HU, será registrado um Boletim de Ocorrência (BO) sobre o caso e o hospital deve ingressar com uma ação judicial por danos materiais. Ressaltou ainda que o incidente não prejudicou o atendimento no local. Ninguém ficou ferido.
O paciente deu entrada no PS às 3h42 com dores abdominais. Nove minutos depois, passou pelo setor de classificação de risco, no qual foi submetido a medição de pressão e temperatura e informou os sintomas apresentados. O caso foi classificado como de risco médio e ele foi encaminhado para uma sala interna, onde deveria aguardar atendimento. A assessoria não soube informar qual seria o tempo médio de espera.
No entanto, após 41 minutos, o filho do paciente voltou para a recepção e lançou uma cadeira de rodas contra um vidro.
A psicóloga comportamental Hellen Mello, de Londrina, diz que explosões violentas de raiva são cada vez mais comuns. ''Foi uma forma agressiva de reagir diante de uma situação de estresse. Podemos até compreender por se tratar de uma situação de saúde, mas esse tipo de atitude não se justifica'', apontou.
Segundo ela, não é possível mensurar o grau de estresse de alguém que presencia o sofrimento de um familiar que aguarda atendimento médico. ''Muitas vezes a pessoa recorre a esse tipo de comportamento para conseguir resultado. Mas essa cadeira de rodas poderia ter atingido uma pessoa e causado consequências mais sérias'', ponderou.
A psicóloga explica que a reação da pessoa tem relação direta com a sua história de vida e com as experiências adquiridas. ''Para muita gente a agressividade é uma maneira de conseguir as coisas. Mas é importante manifestar os desejos verbalmente de forma clara, direta e objetiva'', ensinou.
De acordo com a assessoria de imprensa do HU, a superlotação é rotina no PS. Com capacidade para atender 48 pacientes, na tarde de ontem o local contava com 79, sendo 17 em atendimento ambulatorial e 62 internados.
Outros casos semelhantes foram registrados este ano em Londrina. No dia 22 de julho, um jovem se revoltou com a demora para receber atendimento e destruiu a recepção do local com um extintor de incêndio. Também responde por danos ao patrimônio público.
No dia 29 de março, o longo tempo de espera no Pronto-Atendimento Municipal (PAM) fez uma mulher tirar a blusa como forma de protesto. Guardas Municipais estiveram no local para controlar a situação. Ela foi atendida após esperar mais de sete horas.

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