Homem condenado em lugar de outro é libertado
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Alexandre Sanches Da Redação 
Milton DóriaLiberdade Nery (dir.) conversa com o advogado Péricles Lemos na saída da prisãoASSAÍ - O Tribunal de Justiça do Paraná concedeu ontem habeas corpus para o mecânico Ivan Custódio Nery, 43 anos, preso há 43 dias na delegacia de Assaí (36 quilômetros a leste de Londrina). Nery vai aguardar em liberdade o recurso em que alega ter havido erro no julgamento ocorrido em maio de 94, quando foi condenado a três anos de reclusão por estelionato, no lugar de Norberto Ivan Constâncio.
Por uma falha na montagem do processo, Ivan Nery, que era vítima, foi julgado no lugar de Norberto, denunciado em 89 por ter comprado um carro dele com cheques roubados. Nery só ficou sabendo que havia sido julgado e condenado à revelia, em janeiro. Ao tentar resolver um problema de trânsito na delegacia de Cornélio Procópio, descobriu que havia um mandado de prisão contra ele.
O advogado de Nery, Péricles Bento Lemos, disse que o Tribunal de Justiça negou a liminar pedida por ele. Eles não quiseram revisar o processo de imediato. Eu ia entrar com o pedido de habeas corpus, mas a promotoria pública de Assaí se antecipou e fez o pedido, explica.
Ontem à tarde, ao sair da prisão, Ivan Nery disse que a primeira coisa que pretendia fazer era conhecer o neto, Diogo, de apenas 15 dias. Morando em Londrina, não sabe se terá o emprego de soldador de volta. Isso eu vou ver depois. Primeiro quero ver minha família e sentir novamente o gosto de liberdade.
A prisão, segundo ele, serviu para conhecer o inferno que é uma delegacia. Por causa do erro do judiciário, Nery pretende entrar com uma ação contra o Estado por perdas e danos morais. Tive prejuízos com a minha prisão e talvez até tenha perdido o emprego. Além disso, nada paga a humilhação que eu passei, ressalta.
Enquanto Ivan Custódio Nery comemora a liberdade, Norberto Ivan Constâncio cumpre pena de cinco anos de reclusão por tráfico de drogas, em Ribeirão Claro (25 quilômetros a leste de Jacarezinho). Em uma rápida conversa com a Folha, afirmou desconhecer que outra pessoa estava presa em seu lugar. Estou pagando por um crime que cometi no passado. Como poderia saber que alguém foi confundido comigo?.
Norberto foi preso há oito meses em Londrina, quando se envolveu em um acidente de trânsito. Ao registrar a ocorrência lhe mostraram um mandado de prisão. Segundo o delegado de Ribeirão Claro, Acilto Damian Preve, Norberto aguarda remoção para uma penitenciária.


