Belgrado, 22 (AE-REUTERS) - O presidente norte-americano Bill Clinton lançou nesta segunda-feira (22) um novo ultimato ao líder da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, para que aceite os termos do acordo de paz provisório para a província sérvia de Kosovo, concluído em Paris na semana passada, e assim evite ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra a Sérvia.
Clinton frisou que "existe uma grande unidade" entre os Estados Unidos e seus aliados da Otan para bombardear o território sérvio. A Iugoslávia é formada pelas repúblicas de Montenegro e Sérvia, da qual Kosovo é uma província majoritariamente habitada por albaneses étnicos, que pleiteiam a independência.
Em comunicado conjunto, os ministros da Defesa da França, Grã-Bretanha e Itália também instaram Milosevic a atender às exigências das grandes potências para a paz em Kosovo, "ou enfrentar uma ação da Otan para evitar um desastre humanitário na província".
Clinton disse que enviou uma mensagem ao presidente russo Boris Yeltsin - ferrenho opositor de uma ação da Otan na Sérvia, tradicional aliada russa - na qual o alertou sobre a gravidade da situação em Kosovo. Ele destacou ainda que os planos de intervenção da Aliança Atlântica "continuam" avançando e seu enviado especial à Iugoslávia, Richard Holbrooke, tinha a missão de advertir Milosevic pela última vez.
"A crescente agressão sérvia tem de ser interrompida", declarou Clinton, que horas depois iria reunir-se com os dirigentes republicanos e democratas no Congresso para informá-los sobre a situação em Kosovo.
Holbrooke iria reunir-se hoje com Milosevic em Belgrado, encontro que a secretária norte-americana de Estado, Madeleine Albright, definiu como a última oportunidade para que o líder iugoslavo aceite uma paz negociada e evite os bombardeios. Durante o dia, porém, Milosevic não mostrou disposição de ceder. Ele enviou uma dura carta aos chanceleres britânico e francês, dizendo que o "Ocidente deveria estar envergonhado por ameaçar bombardear uma pequena nação européia", informou a televisão estatal da Iugoslávia. A carta dizia que Belgrado está pronta para negociações, mas não para uma solução imposta.
"Estava claro desde o início que o presidente Milosevic não está pronto para mexer-se, assumir compromissos e tomar uma atitude positiva, aceitando o acordo político que nós negociamos", disse à Reuters o mediador da União Européia, Wolfgang Petritsch, após várias horas de conversações com o líder iugoslavo. Ao mesmo tempo, as embaixadas ocidentais em Belgrado retiraram hoje seus funcionários da cidade e mantiveram apenas os estritamente essenciais.
Na semana passada, a delegação dos albaneses étnicos de Kosovo na conferência de paz de Rambouillet, perto de Paris, assinou um acordo que prevê autonomia política para a província e o envio de uma força de paz internacional à região, para assegurar sua implementação pacificamente.
Os representantes sérvios rejeitam a presença de tropas estrangeiras no país e consideram os termos do plano de paz uma ameaça à soberania sérvia em Kosovo. "Nenhuma pessoa pode modificar nossos princípios", disse o ministro de Relações Exteriores da Iugoslávia, Zivadin Jovanovic.
As forças de segurança sérvias prosseguiam hoje sua ofensiva contra posições da guerrilha separatista do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), forçando centenas de milhares de moradores de diversas vilas e cidades a fugir para as montanhas. A maioria dos 13 mil moradores de Srbica, no norte de Kosovo, abandonou a cidade nos útlimos dias e refugiou-se nas vizinhas Glogovac e Vuciturn, para onde se dirigiam hoje comboios com ajuda humanitária.
Em Pristina, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas em dois ataques a cafés no centro, informaram fontes sérvias. A cidade é majoritariamente habitada por albaneses étnicos. No norte da província, um policial sérvio foi morto por guerrilheiros separatistas.

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