Holandeses dividem o Nobel de Física; egípcio ganha o prêmio de Química
Estocolmo, 12 (AE-ANSA) - A Real Academia Sueca de Ciências anunciou nesta terça-feira os contemplados com o Prêmio Nobel nas categorias de Física e Química. Dois pesquisadores holandeses que fizeram uma nova leitura da teoria dos quanta, Gerardus t Hooft e Martinus J.G. Veltman, dividiram o prêmio de Física,enquanto que o cientista egípcio Ahmed Zewail foi laureado em Química.
Os físicos holandeses foram premiados especialmente por terem situado a teoria da física das partículas sobre uma base matemática mais sólida, demonstrando inclusive como utilizar tal teoria para precisar o cálculo das quantidades na física. O campo da física das partículas levou à concessão de vários prêmios Nobel nos últimos anos.
Numerosos experimentos realizados nos laboratórios de aceleradores de partículas na Europa e nos Estados Unidos confirmaram recentemente muitos dos cálculos de t Hooft e Veltman.
"Esse trabalho deu aos pesquisadores uma eficiente maquinaria teórica que pode ser usada, entre outras coisas, na previsão das propriedades de novas partículas", explicou a Academia ao anunciar o prêmio.
"Um ingrediente importante na teoria desenvolvida por t Hooft e Veltman é uma partícula ainda não exibida, a chamada partícula de Higgs. Da mesma forma como outras partículas foram previstas por argumentos teóricos e posteriormente provadas experimentalmente, os pesquisadores agora estão esperando a observação direta da partícula de Higgs", concluiu a Academia.
Veltman, que vive na cidade holandesa de Bilthoven, é professor aposentado da Universidade de Michigan, enquanto que t Hooft leciona na Universidade de Utrecht desde 1977. Os dois começaram a trabalhar junto em 1969, quando t Hooft estudou com Veltman. O trabalho de ambos consiste cronometrar as unidades que formam os átomos e seus componentes.
"Os dois pesquisadores estão sendo laureados com o Prêmio Nobel por terem dado à teoria física das partículas uma base matemática mais sólida", finalizou a Academia. Os holandeses dividirão um prêmio em dinheiro de 960 mil dólares.
O prêmio Nobel da Química foi outorgado pela primeira vez a um egípcio. Zewial, que tem cidadanias egípcia e norte-americana, ganhou o prêmio "por mostrar que é possível, com a ajuda de velozes raios laser, ver como os átomos de uma molécula se movem durante a reação química", informou a Real Academia Sueca de Ciências.
Ao estudar o movimento dos átomos de uma molécula durante reações químicas, em um trabalho intitulado Estudos das Fases Transitórias e as Reações Químicas Mediante Espectroscopia Ultra-rápida, Zewial registrou o que ocorre quando se rompem laços químicos e se constituem novos laços, informou ainda a academia. A técnica desenvolvida pelo cientista permite estudar as reações químicas da mesma forma que um aficionado de esporte pode voltar a ver as jogadas de sua equipe favorita em câmara lenta, fixando-se em cada detalhe.
A academia sueca descreveu a técnica como "a câmera fotográfica mais rápida do mundo", referindo-se aos flashes de raio laser, com velocidade medida em bilionésimos de segundo. A aplicação desta técnica inclui o desenho de componentes eletrônicos moleculares, assim como o estudo dos mais delicados mecanismos da vida.
Os laureados com o Nobel receberão o prêmio, cerca de um milhão de dólares, do rei Gustavo da Suécia, no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.





