Hizbollah suspende ataques, segundo imprensa
Beirute, 26 (AE-ANSA) - Atendendo a pedidos dos governos do Líbano e da Síria, o Hizbollah - movimento guerrilheiro xiita pró-Irã - decidiu suspender neste sábado (26) seus ataques a populações do norte de Israel com foguetes Katyusha, que provocaram violenta reação da aviação israelense no decorrer da semana.
"A direção do Hizbollah decidiu cooperar com Beirute e Damasco, levando em consideração a situação explosiva na região", informou o jornal libanês An-Nahar, referindo-se aos estragos causados ao país pelos bombardeios israelenses.
A aviação de Israel atacou várias localidades libanesas, matando nove civis e ferindo 57. Duas usinas de energia elétrica
Jamur e Bsalim, foram seriamente danificadas, deixando Beirute às escuras. Além disso, Israel concentrou tropas e blindados na fronteira libanesa.
Em Damasco, a imprensa síria (controlada pelo governo) acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de ter ordenado os bombardeios para sabotar o reinício das conversações de paz sírio-israelenses, interrompidas em 1996.
O novo primeiro-ministro Ehud Barak, que deverá ser empossado dentro de duas semanas, prometeu, durante a campanha eleitoral, retomar o diálogo com a Síria e retirar as tropas israelenses do sul do Líbano.
Netanyahu, segundo ainda a imprensa síria, só avisou Barak de sua "escalada militar na região" depois que os bombardeiros israelenses já haviam levantado vôo.
Também o presidente Hosni Mubarak condenou o ataque israelense. Ele viajou hoje a Washington, onde se reunirá com o presidente norte-americano Bill Clinton. Os Estados Unidos atribuíram à guerrilha xiita a responsabilidade pelo agravamento da situação, mas pediram moderação e sensatez a ambas as partes.
A França, por sua vez, manifestou solidariedade ao Líbano e acusou Israel e o Hizbollah de violação do acordo de 1996 que veta ataques a civis na região.
Por sua vez, o ministro da Defesa israelense, Moshe Arens, classificou de "intolerável" a situação no sul do Líbano. Segundo ele, Barak não se opôs ao ataque israelense quando foi informado.
Em Riad, o príncipe saudita Al Walid Ben Talal manifestou disposição de financiar integralmente a reconstrução das centrais elétricas bombardeadas. O custo da restauração é estimado em US$ 30 milhões. O governo libanês agradeceu a oferta do magnata saudita.





