Tel Aviv, 28 (AE-REUTERS) - O grupo guerrilheiro libanês Hizbollah matou hoje (28) um general-de-brigada do Exército israelense, dois soldados e um jornalista da Rádio de Israel, elevando para sete as baixas do país no Líbano em uma semana. Três outros soldados ficaram feridos no ataque.
O general-de-brigada Erez Gerstein, de 38 anos, foi o militar israelense de mais alta patente a perder a vida em território libanês desde 1978, quando o Estado judeu invadiu pela primeira vez o país.
Na semana passada o Hizbollah matou o chefe de uma unidade de pára-quedistas e outros dois militares.
Em represália, Israel iniciou hoje uma pesada ofensiva por mar, terra e ar contra redutos do Hizbollah no norte e sul do Líbano, anunciada pelo chefe do Exército, general Shaul Mofaz. Foram bombardeadas bases do grupo em Tiro, Baalbeck e no sul de Beirute. Não há informações sobre vítimas.
Ao lado de Mofaz estava o ministro da Defesa, Moshe Arens, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que antecipou a possibilidade de a campanha intensificar-se, "conforme a avaliação de Israel sobre a situação".
Na hora do atentado Netanyahu realizava uma visita oficial ao rei da Jordânia, Abdullah.
O general Gerstein era o responsável pelos contatos com o Exército do Sul do Líbano - milícia libanesa aliada de Israel - e os observadores da ONU na região. Gerstein e os outros três que morreram estavam num Mercedes blindado que integrava um comboio de quatro carros.
Eles haviam deixado o povoado de Marjayun, onde fica o QG de Israel, e seguiam para a aldeia de Hasbaya. Uma bomba de grande potência foi acionada por controle remoto na passagem do Mercedes pela estrada, depois de deixar o vilarejo de Kawkaba. Vinte minutos depois outro artefato explodiu no momento em que chegavam reforços israelenses.
O Hizbollah, grupo xiita pró-iraniano que luta contra a ocupação israelense, reivindicou a autoria do atentado.
Israel ocupou partes do sul Líbano em 1978 e estabeleceu uma área de ocupação permanente em 1985, a qual denomina de zona de segurança para proteger suas fronteiras de ataques terroristas. Netanyahu havia proposto retirar o Exército do Líbano se Beirute se comprometesse a distribuir tropas ao longo da fronteira entre os dois países para evitar ataques do Hizbollah.
O governo libanês e a Síria, que mantém 35 mil soldados no Líbano e exerce forte influência na política local, exigem retirada incondicional.
As mortes da semana passada aumentaram a pressão da sociedade civil para que Israel retire suas tropas do que já está sendo chamado pela mídia de "Vietnã israelense".
Hoje, dezenas de pessoas protestaram diante do Ministério da Defesa, em Tel-Aviv, pedindo a retirada do Exército do Líbano. Mas os três principais candidatos às eleições de maio - para renovação do Parlamento e escolha do chefe de governo - opõem-se à saída incondicional, argumentando que o país precisa obter de Beirute o compromisso de manter a segurança na fronteira.
Analistas israelenses avaliam que o governo sírio não permitirá que o Líbano negocie a saída de Israel enquanto Tel-Aviv não devolver à Síria as Colinas do Golan, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

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