Londrina – A ocupação irregular da área de 40 mil metros quadrados, incrustada ao longo de cinco quarteirões entre os Conjuntos Semíramis e João Paz, na zona norte de Londrina, traz à tona não só o grave problema do deficit habitacional do País, mas carrega também histórias de famílias que se deparam com outras mazelas sociais, como desemprego, abandono e miséria.
Segundo a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD), 45 mil pessoas estão cadastradas junto ao órgão à espera da sonhada casa própria.
A dona de casa Marlene Estanislau, de 59 anos, passou a morar com o marido, o filho e o neto de 8 anos, em assentamentos há três anos, logo após o esposo, pedreiro, sofrer um grave acidente de trabalho. "Ele caiu de um andaime, quebrou os braços e ficou dois anos sem trabalhar. Nunca recebeu uma indenização. Hoje só consegue fazer trabalhos leves e o nosso dinheiro acabou", conta a moradora, que chegou no assentamento do José Belinati há três meses. "Morei durante três anos em uma invasão no Vivi Xavier. Achei que aqui ia ser melhor e agora não sei o que vai ser. Não tenho para onde ir. Faz seis anos que tenho cadastro na Cohab, mas nunca saiu nada."
A doméstica Marlene Gavião, de 27, chegou há dois meses, após não conseguir mais trabalhar, em virtude de uma gravidez de seis meses. Será seu sexto filho. A mulher, que foi abandonada pelo companheiro, não consegue reunir toda a família no mesmo lar. "Moro só com um filho, os outros estão espalhados na casa da minha mãe e parentes. Infelizmente não tenho como levar eles comigo", frisou. Marlene diz que não tem para onde ir e teme pelo futuro. "Para abrigo eu não vou, tenho medo. E como vou fazer com as minhas coisas?", indagou a moradora. A mãe dela, Diva Barros, lamenta não poder ajudar a filha. "Tinha que ver realmente quem precisa. Já me ofereceram várias casas lá do Vista Bela, mas a gente fica com medo de comprar e depois perder", contou.
A missionária Nelma Vieira, de 48 anos, foi uma das primeiras a chegar ao assentamento e "auxiliava espiritualmente" os moradores. Chegou até a montar um templo improvisado no seu barraco. Antes, morava com o marido na casa da filha. "Lá era muito pequeno e não tinha como ficar mais. Meu esposo ganha R$ 800 por mês e só um aluguel custa R$ 400, R$ 450. Não sei para onde vou", relatou a moradora.(L.F.C.)

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