Histórias da Folha
Mesmo perdendo em regiões importantes como o Norte do Paraná, Juscelino Kubitschek elege-se Presidente da República em 1955. Seu vice, João Goulart, o Jango, depois o vice no Governo Jânio Quadros. Na renúncia deste, quase é impedido de assumir pelas Forças Armadas, que virão a tirá-lo do poder no golpe de 64.
Naquela eleição concorrem a Presidente, ainda: Juarez Távora, Adhemar de Barros e Plínio Salgado. Criador e líder do Integralismo entre os principais colégios eleitorais do Estado, Plínio é o mais votado em Ponta Grossa. Adhemar ganha no Norte do Estado. Para Governador, elege-se, pela segunda vez, o senador Moisés Lupion. Antônio Fernandes Sobrinho elege-se, pela segunda vez, prefeito de Londrina. Os demais candidatos são votados na seguinte ordem: 2 - José Bonifácio; 3 - Mário Romagnolli; 4 - Ivan Luz; 5 - Ricardo Funaro.
Há uma possibilidade curiosa, para os jovens eleitores atuais: o candidato a vice não precisa ser vinculado à chapa do candidato a Presidente. Na eleição de 55, coincide que Jango, herdeiro político de Getúlio Vargas, é companheiro de JK, devido a uma aliança entre o PSD de Juscelino e o PTB de Getúlio, assumido por Goulart, que fora seu ministro do Trabalho. Os demais candidatos a vice, em 55, são Milton Campos e Danton Coelho.
Em Londrina, Juscelino é o menos votado. Adhemar, o mais votado. Para governador, ganha Ohton Mader, Lupion em segundo, Luiz Carlos Pereira Tourinho em terceiro, Mário Batista de Barros, quarto; Carlos Amorety Osório, quinto.
Seca, falta águaEm setembro de 1955, clima normal de inverno, está seco no Paraná, ao contrário do que está acontecendo neste final de inverno de 98. Em Londrina a Secção de Água da Cia. Melhoramentos Norte do Paraná, fundadora da cidade, está com um grave problema: a estiagem prolongada causa escassez e o abastecimento da cidade. A Secção de Água publica na Folha, dias seguidos, um apelo à população, para economizar. Nada de lavar calçadas, carros, aguar jardins, em face da causticante e prolongada seca que se observa e que vem provocando vertiginosa queda no rendimento dos mananciais que abastecem a cidade...
EUA de olho no urânio Mesmo mês (setembro de 55), na página 5 da Folha, notícia ufanista: Entra o Brasil nas atividades da pesquisa atômica. Brasil e Estados Unidos assinam protocolo de intenções para a pesquisa de urânio em nosso País. Participam geólogos brasileiros e americanos.
Os Estados Unidos estão, na verdade, interessados em saber quanto urânio existe no mundo e onde está esse urânio, imprescindível para geração de energia atômica, seja qual for sua finalidade. Naturalmente, fala-se apenas em fins pacíficos. Em um dos protocolos, americanos comprometiam-se a ceder ao Brasil um reator de pesquisas e combustível atômico para ser utilizado no reator. Era parte do programa americano Átomos para a Paz.
Não chore por mim...Em 17/9/55, o jornal publica matéria procedente de Buenos Aires, relatando um golpe de Estado contra o governo ditatorial de Juan Domingos Peron. Movimento liderado pelas Forças Armadas, tendo à frente a Marinha. É declarado o Estado de Sítio em toda a Argentina, ninguém pode estar na rua depois das seis e meia da tarde. Bombardeadas as cidades de Eva Perón e Enseada. Os rebeldes, sob o comando do contra-almirante Isac Rojas, tomam as províncias de Córdoba e Entre Rios. São senhores das bases navais de Puerto Belgrano e Rio Santiago. Acabam tomando também Baia Blanca, bloqueiam o porto de Buenos Aires. No dia 23, populares depredam o escritório central do partido peronista, jogam os móveis na rua e botam fogo. Atiram também na rua os bustos de Eva Peron (Evita) e do ditador. Peron foge em uma canhoneira e procura abrigo no Paraguai, que lhe dá asilo.
O general Eduardo Lonardi é o presidente provisório. Dirigindo-se à nação, ressalta que as forças revolucionárias pegaram em armas para defender os direitos do povo. Lonardi dá mais um golpe mortal no culto à personalidade de Peron e Evita: devolve às províncias de Eva Peron e Presidente Peron seus nomes primitivos, La Pampa e Chaco. O Congresso também é dissolvido. Em 24/9/55, o Brasil reconhece o governo provisório.Arquivo FolhaHá 43 anosO então prefeito de Londrina, Antônio Fernandes Sobrinho, com Juscelino KubitschekJota Oliveira





