Atualmente, se alguém pretende trabalhar em jornal tem um longo caminho a percorrer, o que inclui o vestibular e o curso de Comunicação Social. Só depois disto é que, com o ‘canudo’ na mão, pode pensar em ser jornalista.
Antigamente, não era assim. Nem havia escolas suficientes. A pessoa decidia que queria ‘trabalhar em jornal’ (não pensava em ser jornalista, veja-se bem) e metia a cara. E o jornal acabava sendo a escola.
A ‘Folha’ sempre foi uma grande escola. Um incontável número de rapazes (alguns meninos) chegou ao jornal pelos mais diferentes meios. A maioria começava vendendo jornais na rua, depois passava a entregar jornais, ia para a oficina, tornava-se ajudante e, se tinha vontade e talento, acabava chegando lá, tornando-se jornalista profissional.
Este foi praticamente o caminho de Nelson Severino. Menino pobre, mãe viúva, Nelson, que em pouco tempo ganhou o apelido de ‘Morcego’ (e esta história dos apelidos nos velhos tempos do jornal merece alguns capítulos à parte) conseguiu chegar à penúltima parte da escalada pelo fim dos anos 50: tornou-se revisor. E, paralelamente, começou a trabalhar na redação, no esporte. Este era também um dos caminhos: ou o iniciante fazia esporte (e quase todos os moleques conhecem, pelo menos, o futebol) ou a polícia.
Nelson Severino ficou, aprendeu, ganhou por mérito o título de jornalista profissional (acabou fazendo Educação Física), conquistou respeito e admiração e ficou por aqui até a morte de sua mãe. Depois, se mandou. Foi para o Mato Grosso, para Rondônia, só não acabou no Globo - era correspondente do jornal no Mato Grosso - porque não quis. Ele continua jornalista, lá nos confins do Brasil. Um dos muitos jornalistas ‘formados’ na ‘escola’ da ‘Folha’, parte integrante de uma história que demandaria páginas e páginas para ser contada.
Elas Para os rapazes, entrar na ‘Folha’ começava com a vontade. Para elas, era quase impossível. Honorina Borges de Andrade Chaves (que se tornou Nina Chavs, no Globo) mandava notas; outras colaboravam. Mas trabalhar na redação era um tabu que foi quebrado por Christiani Helena Lourenço, que se casou com um colega da redação, Creso Moraes, e mora hoje em Curitiba. Christiani foi a precursora, enfrentando com uma imensa coragem este que era até então um reduto eminentemente machista. Ela foi a primeira e Rose Arruda a segunda. Começou nesta ‘escola’ e, com vontade, garra e, naturalmente talento ganhou também com méritos o seu título de jornalista. Hoje, continua com sua carreira, agora na assessoria política da vice-governadora do Estado, Emília Belinati, em Curitiba.


Ausências muito sentidasArquivo/FolhaVelhos temposRose Arruda e Nelson Severino. Ao lado, Isnard CordeiroEstelio Feldman

mockup