Hiroshima, 06 (AE-AP) - A cidade japonesa de Hiroshima relembrou nesta sexta-feira (06) o momento em que, há 54 anos, uma bomba atômica dizimou a cidade, matando 140 mil pessoas. Cerca de 50 mil pessoas reuniram-se para uma prece silenciosa no Parque Memorial da Paz às 8h15 (hora local) desta manhã (06), momento exato que a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos explodiu sobre a cidade, em 6 de agosto de 1945. A solenidade deste ano foi marcada pela sombra, cada vez maior, dos temores com relação as tensões na ásia, da ameaça de testes de mísseis por parte da Coréia do Norte até a corrida nuclear entre Índia e Paquistão. "A Índia e Paquistão estão construindo bombas atômicas porque eles nunca tiveram a experiência de um desastre nuclear", disse Hiroshi Takei, de 66 anos. "Precisamos de eventos como a solenidade de hoje para educar o povo", concluiu. A população japonesa está cada vez mais nervosa com relação à escalada de tensões na ásia. De acordo com uma pesquisa divulgada nesta semana pelo jornal Yomiuri, 70% dos entrevistados disseram temer a possibilidade de uma guerra eclodir próxima ao Japão. Os japoneses estão preocupados com as crescentes suposições de que a Coréia do Norte irá realizar outro teste balístico, de um míssil capaz de alcançar os Estados Unidos; o aumento da tensão entre Taiwan e China desde que o governo de Taipei afirmou que Pequim deveria ter relações de "estado para estado" com a ilha; e o recente conflito armado na região da Caxemira com as novas nações nucleares, Índia e Paquistão. O primeiro-ministro japonês, Keizo Obuchi, prometeu mais uma vez que o Japão trabalharia em direção a um mundo sem armas nucleares, apesar da recente deterioração da segurança global. "O caminho em direção ao fim das armas nucleares ainda está numa situação difícil", disse Obuchi num discurso no Parque Memorial da Paz. Na declaração de paz anual de Hiroshima, o prefeito Tadatoshi Akiba louvou os sobreviventes da explosão nuclear e fez um apelo ao mundo a dirigir sua força de vontade na luta pelo desarmamento. "Eles foram capazes de transcender o inferno de dor e desespero e optar pela vida", disse Akiba. Após a sua declaração, cerca de 1.500 pombos foram soltos, enquanto um coral de 300 crianças cantaram uma canção de paz. O jornal Asahi defendeu a importância de passar para as gerações mais novas as memórias da tragédia. "A experiência daqueles que suportaram o sofrimento da bomba atômica representa o testemunho ocular do início da era nuclear, que pode exterminar a humanidade", afirmou em seu espaço editorial. Contudo, nem todos em Hiroshima partilharam a melancolia da solenidade. "A cerimônia da bomba atômica está trazendo muitos turistas para Hiroshima. Mas eu mesmo não participo das cerimônias", disse Hiroshi Nagarede, 80, que perdeu a irmã mais velha na explosão. Outro sobrevivente, Minoru Sakiie, 79 anos, expressou sua incompreensão com o ataque lançado pelos Estado Unidos. "Na guerra, os países usam de todos os meios para esmagarem uns aos outros, portanto, a bomba provavelmente era inevitável. O Japão poderia ter usado a bomba se tivesse desenvolvido uma", disse. O pai de Sakiie e sua irmã mais nova morreram na explosão. "Mais de cinco décadas se passaram e alguns dizem que as memórias desses eventos horríveis estão desaparecendo, conforme as vítimas mais velhas vão morrendo", disse em seu espaço editorial o jornal Yomiuri. Nesta sexta-feira (06), os nomes de 5.071 pessoas, que estavam em Hiroshima no dia da bomba e que morreram nesse último ano, foram acrescentados ao monumento dedicado às vítimas - elevando para 212.116 o total de nomes inscritos.

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