Brasília, 21 (AE) - Não foi bem sucedida a primeira intervenção dentária com aplicação de anestesia em um hipopótamo no Brasil . Tom, um animal de 3.500 quilos, de 21 anos, morreu hoje depois de receber uma dose de etorfina, um anestésico altamente tóxico, 10 mil vezes mais potente do que a morfina. Tom, do Zoológico de Brasília, estava sedado para serrar seus dentes caninos inferiores, que tiveram crescimento acima do normal.
Para o procedimento foram convidados dois veterinários argentinos (Gabriel Aguado e Eduardo Francisco), que têm experiência em aplicação de anestesias com etorfina em animais de grande porte. Os dois estiveram em maio no Zôo de Brasília para avaliar o caso. A etorfina foi aplicada com uma pistola com pressão suficiente para vencer o couro e os sete centímetros de gordura do animal.
Segundo o laudo dos veterinários, o hipopótamo morreu de parada cardio-respiratória. Os veterinários ainda tentaram reanimá-lo com um antídoto. Tom foi enterrado hoje pela manhã. A morte do hipopótamo não foi considerada um fato anormal pelos veterinários. De acordo com a assessoria de comunicação de Zôo de Brasília, dados do Fórum Latinoamericano de Zoológicos mostram que de cada 10 animais que se submetem a este tipo de anestesia três morrem. "Não houve negligência, foi uma fatalidade", afirmou a assessora do Zôo, Andréa Amorim.
Serrar os dentes do animal era considerada imprescindível pelos veterinários. O crescimento acima do normal dos caninos inferiores estava ferindo os lábios e a gengiva superior. Havia o risco de uma infecção, que poderia matar o animal. O tempo estimado do procedimento era de 3 horas. A assessoria do Zôo informou ainda que os veterinários concordaram em não cobrar pelo trabalho, as passagens foram cedidas pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) e a etorfina foi uma cortesia do Zoológico de Sapucaia
no Rio Grande do Sul.

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