Hipocondríaco da era digital busca notícias na web
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domingo, 09 de setembro de 2007
Lola Felix<br>Agência Estado 
Qual a diferença entre o médico que faz uma consulta de 15 minutos sem olhar na cara do paciente e um site que dá informações completas sobre todas as doenças que se possa imaginar? Nenhuma, pelo menos para o cybercondríaco, nome pelo qual vem sendo chamado o hipocondríaco da era digital. Nenhum dos dois - médico ou internet - resolve o problema do cybercondríaco, que, mesmo com a informação, não se acalma. ''A doença do hipocondríaco é a certeza de que tem alguma enfermidade grave'', explica o psiquiatra Marcelo Feijó de Mello, coordenador do Programa de Atendimento a Vítimas de Violência e Estresse da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
''Quando leio sobre o problema na internet, não me tranquilizo nem um pouco. Só me certifico de que estou doente'', confirma a coordenadora de marketing farmacêutico Letícia (nome fictício), de 28 anos. Em suas várias pesquisas, ela já achou que estava com linfoma, câncer de mama e hepatite, além de ter sofrido um enfarte imaginário.
Um estudo feito pela empresa Harris Interactive no ano passado, nos Estados Unidos, constatou que cerca de 160 milhões de internautas já usaram a web para pesquisar sobre sa© úde - um número que, segundo os pesquisadores, cresceu em 37% nos dois últimos anos.
Não é todo médico que aceita o paciente ''sabichão'' numa boa. O aposentado Miguel (nome fictício), de 77 anos, acha que alguns se incomodam com seu vasto conhecimento sobre medicina, adquirido na internet e em revistas especializadas. ''Às vezes, aparento saber bem mais do que eles'', brinca Miguel, que não se considera hipocondríaco, mas sempre leva um bloquinho para as consultas, no qual anota todas as palavras do doutor. Lotado de informação, o cybercondríaco tem o costume de confrontar as opiniões e diagnósticos do médico.
O psiquiatra Antonio Egidio Nardi, coordenador do Laboratório de Pânico & Depressão do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pede cuidado com as fontes de informação deturpadas e indica quais são as melhores opções. ''Sites de universidades, hospitais e associações de portadores costumam ser mais confiáveis'', avisa Nardi.


