Hipertensão: risco triplicado de infarto
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 07 de janeiro de 2008
Adriana Ito 
Depois de os cardiologistas chegarem ao consenso de que a pressão 12/8 não é mais considerada normal, mas limitante, estudo publicado no jornal Stroke (infarto, em Inglês) revela que a zona de perigo entre a pressão normal e a alta (14/8) triplica o risco de infarto.
De acordo com o coordenador do estudo, Adnan Qureshi, da University of Medicine and Dentistry of New Jersey, se a pré-hipertensão for controlada e eliminada, o número de infartos diminuirá
em 47%.
No Brasil, 20% da população é hipertensa. A maioria dos hipertensos ou pré-hipertensos ignora a real condição de sua saúde, correndo riscos de sofrer ataque cardíaco, infarto, derrame, doenças renais e vários outros distúrbios da saúde, diz o cardiologista Otávio Gebara, do Hospital Santa Paula.
Gebara diz que, já que ninguém pode alterar a própria herança genética, nem impedir o processo de envelhecimento, é preciso rever os hábitos viciosos. Se o paciente insistir em continuar ingerindo alimentos gordurosos, álcool e levar uma vida sedentária, certamente haverá complicações. Além disso, é preciso adiantar-se aos acontecimentos, ou seja, não esperar atingir a terceira idade para procurar um bom médico e iniciar o controle da saúde. A partir dos 30 anos, todos deveriam visitar um cardiologista pelo menos uma vez ao ano.
Quando teve um pico de pressão alta, há cerca de um ano, a auxiliar administrativo Flávia Duim, 34 anos, até procurou um cardiologista, mas, ao perceber que sua pressão subia apenas no fim do dia, esqueceu o assunto. Foi só em outubro de 2007, ao sentir uma leve dor de cabeça, que ela voltaria a aferir sua pressão. Vi que estava alta e não conseguia baixar, relembra.
Em nova consulta, ela descobriu que tinha síndrome metabólica, problema que envolve, entre outros, níveis elevados de colesterol, triglicérides e circunferência abdominal e hipertensão arterial. Desde então, Flávia experimentou uma mudança drástica na sua rotina. Habituada a uma vida sedentária, ela passou a fazer pelo menos 40 minutos de caminhadas diárias, reduziu a quantidade de sal na comida, passou a consumir mais verduras e menos massas e doces. Não é fácil, a gente passa vontade. Mas é preciso ter força e cuidar da saúde, admite.
O fato de trabalhar em um hospital permite que Flávia meça a pressão três vezes por dia, mas também a coloca em contato direto com os problemas que ela poderia ter caso não se cuidasse. Vejo casos de rapazes e moças com 30, 35 anos tendo enfarte, e tenho medo, confessa, acrescentando que sua mãe também tem e sua avó teve hipertensão arterial.
Com todas essas mudanças, Flávia conseguiu não só controlar a pressão sem precisar de medicamentos, mas também melhorar sua saúde em vários aspectos. Perdi 5 quilos em um mês. Estou me sentindo bem melhor, mais disposta. E com isso a auto-estima também fica ótima, comemora. (Com Agência Estado)


