A hipertensão é conhecido fator de risco para problemas cardiovasculares. Mas uma pesquisa inédita, feita em Londrina, mostra que a pressão alta também pode acelerar a degeneração do aparelho auditivo e colaborar com a perda da audição. As perdas, segundo o estudo, podem começar já na faixa dos 45 anos de idade, adiantando em 20 anos o que viria acontecer naturalmente com o envelhecimento.
A pesquisa, que foi publicada na última Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, é fruto da tese de doutorado da fonoaudióloga Luciana Marchiori, professora da Universidade Norte do Paraná (Unopar), e tem como co-autores os professores Eduardo Rego Filho e Tiemi Matsuo, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo a fonoaudióloga, pesquisas experimentais, feitas com animais, já apontavam esse resultado, mas esta é a primeira feita em humanos.
Ela explica que a hipertensão pode acelerar o processo de surdez de duas maneiras. A primeira porque a pressão elevada no sistema vascular pode causar pequenas hemorragias na orelha interna. Isso causa falta de oxigenação nas células e consequentemente a sua degeneração. As perdas podem ser súbitas ou progressivas.
A hipertensão arterial, segundo a pesquisadora, também faz com que a viscosidade sanguínea aumente, diminuindo o fluxo sanguíneo capilar. A consequência disso é a diminuição do transporte de oxigênio, levando os tecidos à morte pela falta de oxigenação.
Foram estudados 308 pacientes, de ambos os sexos, com idade entre 45 e 64 anos, metade deles com algum grau de perda auditiva, de leve a severo. Neste grupo com problemas de audição, a incidência de hipertensão foi ''extremamente significativa'', observada em 46,8% dos casos.
A hipertensão foi verificada através de medição da pressão arterial e de um questionário sobre uso de medicamentos usados no tratamento da doença. A audição foi avaliada por audiometria e anamnese audiológica. ''A perda auditiva observada nesta população sugere que a hipertensão arterial age como fator de aceleração da degeneração do aparelho auditivo'', afirma a pesquisadora, ressaltando que as perdas auditivas não ocorrem somente nos casos de hipertensão sem controle, mas podem ocorrer também quando a doença está controlada.
O grande problema da perda auditiva, segundo a fonoaudióloga, é que normalmente ela é gradual, com o passar dos anos, e a pessoa só vai perceber quando ela já está instalada. ''Isso acaba prejudicando principalmente a comunicação oral, e pode levar ao isolamento social'', avalia.
Não é possível reverter casos de perda auditiva, explica Luciana, mas é possível evitar alguns fatores que colaboram para essa perda, como ficar exposto a ruídos contínuos ou intensos, traumas, infecções e alguns medicamentos, mais usados nos pós-cirúrgicos. ''Por isso é tão importante mostrar a relação entre a hipertensão e a perda auditiva, para que seja feito um trabalho mais integrado entre cardiologistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e outros profissionais. O paciente poderá fazer avaliações periódicas e evitar outros fatores que possam prejudicar a audição'', ressalta.
O foco dos estudos será ampliado. Agora a fonoaudióloga pesquisa se a hipertensão pode afetar outras partes do ouvido, como o labirinto, e se há relação entre a doença e as vertigens, conhecidas como labirintites.

Serviço:
Clínica de Fonoaudiologia da Unopar fone (43) 3371-7775

mockup