HIPERTENSÃO - Doença silenciosa ataca também cérebro e rins
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Fernanda Borges <br> Reportagem Local 
Londrina - Os números envolvendo a hipertensão arterial são altos e a cada ano mais brasileiros sofrem do mal. No Brasil ela é a principal causa de morte (34%) envolvendo eventos cardiovasculares e, segundo especialistas, enquanto a população não se preocupar em mudar efetivamente seus hábitos, a tendência é que a doença continue se manifestando. Além de atacar o coração, a hipertensão acomete gravemente o cérebro e os rins e em alguns casos o tratamento com medicamentos ingeridos corretamente são indispensáveis.
Dados do Minitério da Saúde apontam que 30 milhões de pessoas sofrem com a doença, apesar de quase metade delas ainda não ter recebido o diagnóstico. Ao todo, 63,2% das pessoas afetadas têm 65 anos de idade, numa realidade em que a população adulta de hipertensos representam 30%. O que mais preocupa médicos e especialistas é que desse público, apenas 10% a 20% fazem o controle e muitos não sabem que a doença prejudica o funcionamento dos outros órgãos.
Assintomática, a hipertensão é caracterizada pelo aumento da pressão do sangue nas artérias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há 600 milhões de hipertensos no mundo. De acordo com o cardiologista Ricardo José Rodrigues, quando não controlada a doença está associada a diversas complicações de elevada morbidade por causas cardiovasculares, por aumento na incidência de infarto agudo do miocárdio (ataque cardíaco) e por aumento na ocorrência de acidente vascular cerebral (derrame).
''Há alguns medicamentos que agem em torno de 30 horas no organismo, mas a maioria não e por isso é muito comum precisarmos prescrever remédios com duas ingestões por dia. Nesses casos os medicamentos devem ser tomados em duas vezes mesmo. O que acontece é que muitas vezes o paciente sente a pressão dele cair a noite e deixa de tomar acreditando que não é necessário, o que é errado porque assim ele ficará desprotegido'', explica Rodrigues.
Segundo o médico, a variabilidade da pressão arterial é algo fisiológico, porém existem aqueles que são diagnosticados como hipertensos - ainda que contam com a pressão alterada apenas no período noturno enquanto dormem. ''Pessoas com apneia do sono ou algum outro distúrbio do sono sofrem de pressão alta e isso é ruim porque você submete o cérebro, rins e coração a mais tempo ao regime de pressão alta. Por isso é fundamental o tratamento correto'', enfatiza.
Cuidar da hipertensão pode reduzir em 40% as chances de ocorrência de derrame cerebral (AVC) e em 20% o risco de infarto do miocárdio. Ainda segundo o médico a doença não é diagnosticada somente pela cifra, mas principalmente pelas alterações bioquímicas que desencadeia no organismo. ''Essas alterações favorecem doenças como a arteriosclerose, prejudica os rins por ele ser muito vascularizado e o cérebro também, além do coração. Como os rins não servem apenas para filtrar mas também é um órgão endócrino, acaba produzindo substâncias que podem elevar a pressão arterial desencadeando um ciclo. Esse é o grande problema da hipertensão, uma vez instalada inicia esse ciclo perigoso que só pode ser evitado com tratamento correto e mudanças de hábitos'', finaliza.


