Para algumas crianças pode ser vantagem. Para outras, sinônimo de dor. A chamada hiperflexibilidade ou frouxidão ligamentar, situação em que o movimento das articulações vai além do normal, nada mais é que a velha conhecida 'dor de crescimento'. Cuidados com amortecimento e a prática de algumas atividades físicas ajudam a minimizar incômodos.
Para quem pratica esportes de alta performace como natação e ginástica, a capacidade de realizar movimentos com maior amplitude, é vantagem, segundo o ortopedista pediátrico Alessandro Melanda, de Londrina. Quem não conhece, por exemplo, o nadador norte-americano Michael Phelps, o fenômeno que conquistou o maior número de medalhas de ouro olímpicas em uma única edição, nos Jogos de Pequim, em 2008? ''Ele tem o movimento dos tornozelos bem acima do padrão de normalidade, o que certamente traz mais força na hora da propulsão ao nadar'', exemplifica.
Mas, em outras situações pode ser causa de dor. Exemplo é quando a criança brinca, pula e corre o dia inteiro e à noite está com dor. Isso acontece porque houve estresse dos tecidos com os movimentos acima do limite das articulações. ''Submeter a articulação o dia todo a estresse pode causar dor noturna'', enfatiza.
A orientação para esses casos, segundo o médico, é fortalecer a musculatura com atividades físicas de pouco impacto, como natação e bicicleta, e utilizar sapatos com sistema de amortecimento. ''É óbvio que não se manda criança para academia, mas para atividades lúdicas, como natação, que proporciona menos impacto nas articulações e traz um certo fortalecimento. A atividade consegue fortalecer a musculatura, o que, de certa maneira, estabiliza a frouxidão e não traz impacto'', ressalta.
O calçado também precisa absorver o impacto e para isso são indicados tênis, ''de preferência com borracha macia, flexível e antiderrapante''. ''No verão, com o calor de Londrina, as meninas gostam de usar sandálias e existem modelos adequados com borrachinha macia. Mas, usar as chamadas rasteirinhas não é indicado'', afirma. Segundo o ortopedista, é saudável para a criança andar descalça, ''mas na areia ou na grama, não em piso duro, como cimento ou asfalto. Aí, não há vantagem, só impacto nas articulações''.
Ele lembra que são as meninas quem tem mais tendência de apresentar frouxidão ligamentar, e o problema está presente na maior parte das vezes entre os dois e dez anos de idade. ''Uma característica é que geralmente um dos pais também apresentou maior flexibilidade na infância''.
Apesar da queixa ser frequente - ''diria que é 10% dos casos que chegam ao consultório''-, é preciso investigar, pois a frouxidão ligamentar pode ser indício de doença. Em algumas patologias congênitas e na Síndrome de Down ela normalmente está presente, mas é preciso descartar casos mais sérios quando há dor nas pernas durante a infância. ''O tratamento vai amenizar a dor e com o tempo há uma diminuição natural da flexibilidade. O grande problema é deixar passar quadros mais graves, situações sérias que podem causar dor nas pernas, como leucemia'', ressalta.
Crianças com essa característica normalmente não têm atraso motor. Por isso, se o bebê está atrasando para andar e apresentando diminuição de força muscular, é interessante procurar um profissional para diagnóstico. O normal é a criança andar por volta do primeiro aniversário até um ano e seis meses de idade. ''Uma dica é considerar a idade em que os pais andaram, o que pode ser considerado o padrão normal da família'', ensina.

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