Curitiba- Crianças agitadas, ansiosas, desatentas, hiperativas. Estes podem ser sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDA/H) que acomete entre 3% e 7% das crianças brasileiras e 4% dos adultos. Se não diagnosticado e tratado adequadamente, o transtorno pode levar ao fracasso nos estudos, dificuldades nos relacionamentos, propensão a acidentes e ao uso de drogas, desempenho profissional abaixo das reais capacidades do funcionário. A hiperatividade é considerada hoje a principal causa do fracasso e do consequente abandono escolar.
Um dos principais motivos é exatamente a falta de preparação dos educadores para lidarem com crianças hiperativas. De acordo com o neurologista infantil Antonio Carlos de Farias, coordenador do I Ciclo Educacional sobre Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade, realizado em Curitiba, a escola não está preocupada com os problemas individuais dos alunos. ''Temos que mudar esse quadro atual. Os professores conseguem detectar mais facilmente uma criança hiperativa, porque está em contato com ela. Pode ver a desatenção e precisa avisar aos pais. Infelizmente, falta preparação dos pais'', disse Farias.
O neurologista orienta os pais a observarem os comportamentos dos filhos em todos os ambientes de trabalho. Agitação apenas em casa, não significa hiperatividade. ''Toda criança tem um componente hiperativo, exploratório. Para ser hiperativa, a criança tem que provocar impacto como desatenção na escola e péssima relação com os colegas. Ela não canaliza atenção para aprender e tem rendimento ruim na escola. Tem dificuldade de esperar as outras crianças'', explica. Farias conta que a criança já é hiperativa desde a época de gestação (mexe mais dentro da barriga da mãe).
Normalmente, os pais percebem a hiperatividade do filho entre os 7 e 8 anos. Depois das primeiras análises percebem que a criança sempre foi hiperativa (tinha distúrbio do sono nos primeiros meses de idade, irritabilidade). Na adolescência, são pessoas mais propensas segundo o médico a terem envolvimento com delitos e drogas.
O tratamento deverá seguir alguns critérios básicos que passam pela informação educacional (estratégias para chamar a atenção), intervenção comportamental (agendas, organização de horários de estudos, coerência em punições e premiações), orientação educacional (apoio psicopedagógico), orientação psicológica (emocional), tratamento medicamentoso (após os 6 anos).
Farias lembrou que o transtorno é um problema crônico e em 50% dos casos dura a vida inteira. ''A intervenção precoce é fundamental para que a pessoa possa ter uma vida adulta sadia''. Os hiperativos não são mais inteligentes do que o normal, explica o médico. Mas acabam tendo mais criatividade. ''Eles são ótimos músicos, pintores, atores, escritores, teatrólogos. Desde que canalizem a criatividade para as artes''.

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