Curitiba - Aproximadamente 180 mil crianças paranaenses sofrem de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A estimativa é do médico neuropediatra e professor de neuropediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Sérgio Antoniuk. O neuropediatra também é coordenador do 3º Congresso Internacional sobre TDAH, que terminou ontem, em Curitiba, e está debatendo o tema entre profissionais da área médica, professores e pais.
Segundo Antoniuk, o TDAH é a mais frequente entre as doenças neuropsiquiátricas detectadas em crianças, ocorrendo em até 10% das crianças em idade escolar. Quando não são tratadas, essas crianças têm em média de cinco a oito pontos de QI menor que a população geral. Elas também têm chances consideráveis de abandonar a escola, além de apresentar distúrbios de comportamento mais severos e se envolver com drogas, álcool e fumo.
O diagnóstico é apenas clínico (não existem exames para detectar a TDAH) e deve ser feito antes dos sete anos, embora muitas pessoas que sofrem do distúrbio só venham a detectá-lo na fase adulta. Alguns dos sintomas na fase lactente são: sono curto, agitado ou irregular; ansiedade ao mamar; irritabilidade e muito choro; andar precocemente e cólicas frequentes. Na fase pré-escolar, alguns dos sintomas são: isolamento, quebrar coisas com frequência, machucar-se comumente, inconstância, perder coisas com facilidade, sono agitado, impaciência, insatisfação com tudo e insubordinação.
Na fase escolar e na adolescência, os sintomas são bastante parecidos. Alguns deles são: impulsividade, dificuldade de relacionamento, falta de atenção, baixa auto-estima, desorganização, desobediência. O adulto hiperativo pode manifestar sintomas como desorganização, inquietação física e cognitiva, falta de atenção, dificuldades no trabalho e relação pessoal, impulsividade, adiamento crônico, insegurança, variação de humor e tendência a vícios. ''O adulto hiperativo geralmente faz muitos projetos ao mesmo tempo, e dificilmente os leva até o fim'', disse Antoniuk.
Existem três tipos de TDAH: somente falta de atenção (tipo 1), hiperatividade e impulsividade (tipo 2) e o tipo combinado, que une as características dos tipos 1 e 2. São dois os tratamentos, medicamentoso e não medicamentoso, que podem variar de acordo com o tipo de transtorno manifestado. De acordo com Antoniuk, muitos pais temem o tratamento medicamentoso, que é feito a base de estimulantes, mas, em muitos casos é necessário. ''Independente do tratamento, é importantíssimo que haja interação familiar e dos professores.''

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