Ahmedabad - O toque de recolher foi imposto ontem em cinco zonas de Ahmedabad, a capital do Estado de Gujarat, a oeste da Índia, depois que manifestantes hindus atacaram muçulmanos para se vingar do ataque a um trem ocorrido na véspera e no qual morreram 58 pessoas.
A multidão de hindus queimou vivos pelo menos 18 muçulmanos em suas casas em Ahmedabad cidade de maioria muçulmana.
A polícia disparou para o ar e lançou granadas contra centenas de manifestantes que queriam saquear e incendiar as lojas de muçulmanos de Ahmedabad, onde ocorreu o ataque ao trem anteontem.
Por outro lado, uma centena de jovens hindus atacou com pedras e garrafas uma mesquita da capital, situada a 160 quilômetros de onde o trem foi atacado.
A polícia, que mobilizou 6.000 homens para patrulhar as ruas de Ahmedabad, interveio para dispersar a multidão. Os manifestantes se reagruparam e se enfrentaram com as forças de ordem que contavam com o grupo de apoio dos muçulmanos da cidade.
As investigações detiveram 51 pessoas em operações de rastreamento efetuadas durante a noite na cidade de Godhra, no distrito de Panchmahal, local do ataque ao trem e onde foi imposto o toque de recolher.
Cinquenta e oito corpos foram resgatados, entre os quais 25 mulheres e crianças, segundo o último informe dado por Jayanthi Ravi, administradora do distrito.
Segundo a polícia e testemunhas, milhares de muçulmanos cercaram o trem na saída de Godhra, o apedrejaram, o golpearam com barras de ferro e armas brancas e o incendiaram depois de tê-lo encharcado com querosene.
O trem levava extremistas hindus da cidade de Ayodhya, no Estado de Uttar Pradesh, ao norte, onde milhares de militantes hindus se reunirão para a construção de um templo no lugar onde foi destruída uma mesquita em 1992.
A mesquita era um monumento do século XVI e foi completamente arrasada por fanáticos hindus. As violências resultantes deste fato provocaram 2.000 mortos.
O incidente fez aumentar a tensão no Estado onde uma pessoa morreu apunhalada e várias outras feridas anteontem. Diversos ônibus foram incendiados e um trem foi apedrejado.
Com medo de novas violências inter-religiosas, o primeiro-ministro indiano, Behari Vajpayee, adiou a viagem que devia fazer à Austrália para participar em uma reunião de chefes de governo da Mancomunidade britânica.
Vajpayee, que quer apresentar uma imagem moderada do hinduísmo, está submetido a pressões contraditórias em torno da campanha para a construção do templo de Ayodhya. Seu partido, o BJP, formação nacionalista hinduísta, está historicamente vinculado ao movimento de Ayodhya e próximo ao Conselho Hindu Mundial (Vishwa Hindu Parishad, VHP), a organização de extrema-direita que apoia a campanha pela construção do templo.

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