Ahmedabad - Líderes hindus e muçulmanos participaram em uma passeata pela paz ontem, no Estado de Gujart (oeste da Índia), enquanto continuava a penosa tarefa de retirar os corpos das vítimas depois da pior onda de violência religiosa dos últimos 10 anos.
Cerca de 800 pessoas na passeata, que contou com uma forte escolta policial, atravessaram a cidade de Ahmedabad, a capital comercial de Gujarat, para terminar no ashram do herói da independência indiana e apóstolo da paz, Mahatma Gandhi.
Ahmedabad mostrava os estragos deixados por cinco dias de enfrentamentos que causaram mais de 580 mortes.
Ontem, foi suspenso o toque de recolher em Ahmedabad, mas ainda é aplicado em outros 20 lugares delicados.
‘‘Ainda recebemos informes sobre diversos incidentes de violência aqui e lᒒ, declarou o sub-chefe da polícia, K. Chakravarty.
A polícia indicou que o número de mortos seguramente aumentará, já que outros corpos foram retirados de pequenas aldeias muçulmanas que foram atacadas e queimadas por grupos hindus.
Alguns responsáveis disseram que o número final poderá ser superior a 1.000 mortos.
As rebeliões tiveram início com o assassinato de 58 passageiros hindus de um trem. Entre eles, várias mulheres e crianças. O ônibus voltava da cidade de Ayodhya (norte), onde militantes hindus, desafiando ordens do tribunal, têm intenções de construir um templo a partir de 15 de março sobre as ruínas de uma mesquita do século XVI destruída em dezembro de 1992 por fanáticos hindus.
Hoje, pode-se observar uma forte presença militar em Ahmedabad e outras cidades. O exército foi mobilizado sexta-feira, quando ficou claro que a polícia estatal não poderia – e em certos casos não queria – dominar a reação dos hindus depois do massacre do trem.
Em Nova Délhi, o governo do primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee tem esperanças de que um dos principais líderes hindus da Índia encontre a forma de acabar com a briga religiosa de Ayodhya que representa uma ameaça de nova onda de violência.
As conversações de segunda-feira não progrediram. O grupo que milita em favor da construção do templo, o Vishwa Hindu Parishad (VHP, Concílio Mundial Hindu), insiste em seguir adiante.

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