Los Angeles (AE-AP) - A medida em que a NASA constrói a estação espacial internacional na órbita terrestre, empresas hoteleiras e de viagem estão pensando seriamente na hipótese de construir hotéis orbitais e outros projetos que poderiam fazer do espaço, a fronteira final do turismo.
O interesse no turismo espacial foi despertado há algumas semanas quando o Hilton Hotel Inc. revelou que está considerando a possibilidade de ter um hotel espacial. "Nós queremos analisar seriamente o caso e ver se o Hilton pode ser o primeiro no espaço", disse o porta-voz do Hilton, Jeannie Datz. "Certamente, isso não vai acontecer amanhã. Estamos considerando algo em torno de 15 a 20 anos, se é que esta história toda faz algum sentido".
O Hilton não está sozinho. Robert Bigelow, proprietário da cadeia Budget Suites of America, cuja matriz fica em Las Vegas,
disponibilizou US$ 500 milhões para a construção de um "cruzeiro", que faria vôos da órbita da Terra para a Lua. Ele formou uma nova companhia, a Bigelow Aerospace, para desenvolver o projeto.
A noção de turismo espacial pode não ser algo tão distante quanto parece. Um estudo da NASA concluiu que o turismo espacial representa um mercado potencial de bilhões de dólares se as barreiras econômicas e técnicas forem superadas. O Hilton comunicou que vai realizar um simpósio sobre o assunto em dezembro.
A comercialização do espaço foi o tópico mais importante na abertura da conferência anual da Fundação Fronteira do Espaço, realizada em Los Angeles há algumas semanas. Em discursos prévios, o diretor da NASA, Dan Goldin, levantou a possibilidade de viagens espaciais. "Nós estamos abertos a propostas", disse o porta-voz da NASA, Brian Welch. "Eu não acho que ninguém acredita que isso vá acontecer amanhã, mas há novas tecnologias espaciais sendo desenvolvidas e novas naves sendo construídas, que poderão levar a um maior tráfego de ida e volta ao espaço."
Os desafios do turismo espacial seriam enormes. Além disso, ninguém pode afirma se um hotel espacial seria rentável ou mesmo apelativo aos turistas. "E ele seria para pessoas jovens e realmente ricas ou os John Glenns do mundo poderiam ir até lá e aproveitar o lugar"? perguntou o porta-voz do Hilton, Datz. "O que nós vamos comer? Se você quiser seu bife nova-iorquino ou macarrão primavera, será possível, ou estarão disponíveis em pílulas ou numa versão liofilizada?"
Gene Meyers, diretor executivo do Space Island Group of West Covina, acredita que haverá muitas coisas para entreter os turistas no espaço. A companhia quer usar os tanques de combustível vazios das naves para construir um hotel orbital similar ao Hilton espacial mostrado no filme "2001: Uma Odisséia no Espaço".
Os hóspedes poderiam fazer caminhadas no espaço, contemplar a
Terra lá de cima e cuidar de um jardim espacial, além de outros pequenos projetos de manutenção. "Todas as possibilidades românticas que nos vêm à mente quanto pensamos em gravidade zero parecem possíveis", afirma.
A Bigelow Aerospace, formada recentemente, está contratando engenheiros e outros profissionais para trabalharem em projetos espaciais. A aeronave lunar é um projeto a longo prazo. Por enquanto, a companhia está tentando desenvolver módulos infláveis que possam ser anexados á estação espacial e alugados pela NASA, a fim de criar espaço adicional para pesquisadores.
Até agora, a NASA falhou em dar às companhias privadas muito acesso às naves para pesquisas privadas e operações comerciais, disse Bigelow. "Toda essa conversa é baseada mais em termos políticos e legais do que em tecnologia", comentou Bigelow. "A tecnologia está aqui para ser usada. O problema é se a NASA permanecerá ou não bloqueando o caminho". Neste meio tempo, os turistas mais próximos de uma viagem espacial são os que procuram a Força Aérea Russa. Por US$ 12 mil, os aventureiros podem pegar uma carona num vôo num MiG-25, caça que pode levá-los a 24 quilômetros (15 milhas) acima da Terra, a uma velocidade que é o dobro da do som.
Incredible Adventures, uma empresa de viagens de Sarasota, Flórida, já promoveu cerca de 400 vôos de alta altitude desde 1993.
A empresa também agenda vôos de gravidade zero. Katherine Smith, de 43 anos, de Portland, Oregon, já fez ambos. "A 80 mil pés (24.000 metros), o céu adquire um azul escuro, como à meia-noite, não propriamente negro, e você pode começar a ver a curvatura da terra", disse Smith. "Você sente-se ainda mais fora da terra naquela altitude". Ela compraria uma passagem para o espaço se tivesse esta chance? "Assim que estivesse disponível", disse ela.

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