Hildebrando tinha ligações com PM do Piauí
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 25 (AE) - O ex-deputado Hildebrando Pascoal mantinha uma estreita ligação com policiais militares do Piauí desde 1996. Existe a suspeita de que PMs teriam ajudado Pascoal a executar o traficante José Hugo Junior, no interior da Bahia. O principal elo de ligação entre o ex-deputado e a PM é o tenente Baltazar Rodrigues Nogueira, comandante do destacamento de Avelino Lopes, no interior do Piauí, que comandou a operação para capturar Hugo.
Em um levantamento feito em agosto do ano passado, a Polícia Federal descobriu que Baltazar e Pascoal trocaram diversos telefonemas por vários meses. Somente no Natal de 1996 o ex-deputado recebeu seis ligações do oficial, sendo uma em sua casa e cinco no celular. Segundo a PF, o terminal telefônico de onde partiram as ligações está registrado em nome de Patricia Maria Viana de Abreu Nogueira, mulher do tenente Baltazar.
Na conta de janeiro de 1997 do telefone residencial de Hildebrando Pascoal, consta três ligações feitas entre a manhã e tarde do dia 4 de janeiro, uma delas com 22 minutos de duração. Todas elas feitas de Avelino Lopes (PI) à cobrar para a casa de Pascoal, em Rio Branco. Outras ligações foram feitas de Teresina (duas vezes entre 16 e 23 de outubro de 1996) e uma de água Branca, também em outubro e a cobrar.
Todos os telefonemas antecederam à morte de José Hugo, matador do irmão de Hildebrando Pascoal. O crime aconteceu no Acre, em junho de 1996, quando foi iniciada uma onda de violência, onde várias pessoas, ligadas direta ou indiretamente a Hugo foram mortas. Após o crime, o traficante fugiu para o Nordeste, se refugiando no interior do Piauí.
Segundo o depoimento do soldado José Carlos dos Santos Barbosa, tomado no dia 4 de fevereiro de 1997 pela PF, o tenente Baltazar lhe apresentou duas pessoas como se fossem policiais federais, mas nenhum deles tinha mandado de prisão contra José Hugo. O soldado foi obrigado a dirigir o carro onde estavam os dois homens que renderam Hugo em uma fazenda, onde estava o tenente Baltazar. Estranhamente, segundo o militar, Baltazar não acompanhou os supostos PFs até Corrente (PI).
Antes de chegar à cidade, Barbosa perguntou para seus acompanhantes, que já trazia Hugo algemado, se deveria dirigir-se à delegacia de polícia ou ao quartel. "Nenhum dos dois lugares", disse um deles, provavelmente Pascoal, conforme as características descritas pelo militar. Além disso, em uma conversa informal, um dos homens disse ao PM que era do Acre e estava na captura de Hugo.
O soldado contou que o traficante ainda tentou desviar o roteiro da viagem, pedindo para que ele se dirigisse a um quartel, já que os dois seriam mortos pelos supostos PFs. "Soldado, não faça besteira", advertiu um dos homens. Barbosa teria ficado mais tranquilo, quando o mesmo homem lhe disse que nada iria lhe acontecer.
Barbosa contou na PF que deixou os dois homens em Formosa do Rio Preto, na Bahia, onde Hugo apareceu morto no dia seguinte. O soldado estranhou, conforme seu depoimento, que Baltazar entregou Hugo para os dois homens sem qualquer ofício, "nem haver comunicado a prisão ao juiz de Curimatã", cidade próxima de Avelino Lopes.
A PF ouviu outras pessoas em Avelino Lopes e confirmou que o tenente Baltazar quem comandou a ação na fazenda, quando Hugo foi preso. Outras pessoas chegaram a ficar sob a mira das armas do oficial, enquanto os supostos policiais federais saíam em direção à Bahia. A PF também poderá investigar a ligação de Pascoal com outros policiais militares, após o levantamento dos telefonemas.


