Rio Branco - O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, que está preso sob a acusação de chefiar uma quadrilha com atuação especializada em crimes e em narcotráfico no Acre, ficará quase uma semana preso na sede da Polícia Militar (PM), coorporação que comandou durante vários anos no Estado - período no qual vai prestar depoimentos às Justiças federal, estadual e eleitoral, se houver tempo. Hildebrando e dois de seus irmãos, Sete e Pedro, desembarcaram hoje às 11h53 (14h53 de Brasília) na capital, junto com outros 19 acusados.
Eles foram transportados em um avião Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira (FAB). Os três irmãos da família Pascoal vieram algemados e usavam colete à prova de balas sob a camisa. Cerca de 20 agentes do Comando de Operações Táticas (COT) da Polícia Federal (PF) fizeram a segurança no avião. Eles trouxeram na aeronave dois jeeps Cherokes, para uso na operação. Os presos foram transportados num ônibus e dividos em várias unidades das polícias Militar, Civil e Federal. Os depoimentos começam amanhã (13) e devem terminar na sexta-feira.
A previsão é de que a maioria passe o Natal na cidade. Somente os considerados mais importantes nas investigações de narcotráfico e do crime organizado é que retornarão a Brasília - entre eles Hildebrando. Segurança - Réu em sete processos criminais - quatro por homicídio, um por tráfico de entorpecentes, um por sonegação fiscal e outro por crime eleitoral -o ex-deputado ficará detido na única cela do Comando da PM. Um traficante fugiu há alguns anos dessa mesma cela. O Ministério Público Federal (MPF) tentou transferir a guarda de Hildebrando para o Exército por entender que o sistema penitenciário do Estado não oferece condições adequadas para detentos de alta periculosidade, mas não conseguiu autorização para levar a idéia adiante.
O ex-deputado federal perdeu a imunidade parlamentar ao ser cassado pela Câmara dos Deputados, mas não perdeu a patente de coronel da PM e mantém a prerrogativa de prisão especial. No início de novembro, Hildebrando foi transferido de Brasília para o Acre pela primeira vez para ser interrogado pela Justiça Federal. O interrogatório preliminar é um rito judicial, no qual o réu é informado de todos os crimes ou atos ilícitos pelos quais está sendo acusado.
Ele ficou preso na mesma cela que ficará dessa vez e não houve nenhum incidente ou tentativa de fuga. Em entrevista, um dos nove irmãos de Hildebrando, o deputado estadual Cosmoty Pascoal (PPB), afirmou que se o ex-deputado federal quisesse fugir, teria conseguido. "Ele é amigo de todos na PM e só não fugiu porque está disposto a provar a sua inocência", afirmou Cosmoty. A segurança ficará sob a responsabilidade da PM e PF, que reforçará o contingente local com os agentes do COT. Depoimentos - Hildebrando começa a depor na Justiça Federal terça-feira. Ele será interrogado sobre a morte do policial civil Walter José Ayala, morto com um tiro à queima-roupa dentro de um ônibus. Na quarta-feira, a Justiça vai questionar o ex-deputado sobre o assassinato do bombeiro Sebastião Crispim da Silva - executado um dia depois de Ayala. Silva e Ayala eram testemunhas do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça e iam depor sobre a ação do grupo de extermínio existente no Acre.
O último interrogatório na Justiça Federal será a respeito da sonegação fiscal, que segundo o MPF seria feita por meio de uma conta bancária aberta em nome de Sebastião Mendes Ribeiro, conhecido como Querosene. Ele deve ser ouvido também em outros dois processos criminais na Justiça Estadual. Um refere-se à morte do mecânico Agílson Santos Firmino, de 25 anos
o Baiano, que teve os braços e as mãos cortados supostamente por uma motosserra antes de ser executado com dois tiros na cabeça. O crime ocorreu porque Baiano negou-se a dizer o esconderijo de seu patrão, José Hugo, que matara a tiros o subtenente Itamar Pascoal, um outro irmão de Hildebrandro.
O outro diz respeito à morte do policial civil Jonaldo Martins, em novembro de 1998. Há vários anos Martins agrediu e disparou alguns tiros contra o subtenente Itamar Pascoal e Hildebrando é acusado de ter arquitetado a morte do policial.
Sete Pascoal, dentista que estava foragido desde novembro quando a sua prisão preventiva foi decretada, é acusado de também participar da morte de Baiano. Ele foi preso na semana passada, em um sítio no interior de Santa Catarina. Pedro Pascoal é acusado de martar o filho de Baiano, Wilder, de 13 anos. O menor foi banhado em ácido antes de ser executado a tiros, porque não revelou o paradeiro de seu pai. Caravana - Um comitê de recepção, formado pelos familiares, recebeu os presos que chegaram hoje de Brasília. Eles foram aplaudidos e houve até quem levasse faixa com a seguinte inscrição: "Seja bem-vindo". Entre os familiares, algumas pessoas fizeram comentários contrários e elogiaram veladamente a possibilidade de punição dos acusados. Um senhor, que não quis se idenfiticar, definiu o vôo de forma criativa. "Pousou a caravana do pecado".

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