Rio Branco, 09 (AE) - O ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, que perdeu o mandato há 46 dias por quebra do decoro parlamentar, negou hoje, em depoimento ao juiz da 2ª Seção Jucidiciária da Justiça Federal do Acre, Pedro Francisco da Silva, todas as acusações feitas contra ele. Hildebrando chorou durante o depoimento, feito a portas fechadas, com a presença de policiais federais e dois advogados convidados - eles pediram para não ter os nomes revelados.
Hildebrando depôs hoje sobre o assassinato do policial civil José Ayala, morto dentro de um ônibus em 12 de setembro de 1997 com um tiro na cabeça. Ele é acusado de ser o mandante do crime. O sargento Alex Fernandes Barros é considerado o mentor intelectual e o pistoleiro Alexandre Alves da Silva, o Nim, e o soldado da PM Reginaldo Rocha de Souza, o Régis, de serem os co-autores. O pistoleiro Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, é acusado de ser o executor.
Amanhã (10), o ex-deputado federal será interrogado sobre o assassinato do bombeiro Sebastião Crispim da Silva, morto um dia depois de Ayala. Eles eram testemunhas do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana do Ministério da Justiça e iriam depor sobre o grupo de extermínio. Pascoal também é acusado de crime de sonegação fiscal e ligação com o narcotráfico. O ex-deputado federal chegou e saiu sem fazer nenhum comentário à imprensa, sempre escoltado por agentes federais e policiais militares.
O retorno do ex-deputado à sua terra natal foi marcada manifestações de apoio e protesto. Parentes e amigos o receberam com entusiasmo. "Não sou parente, mas gosto muito dele", disse uma garota de 14 anos que gritava o nome do ex-deputado. Já o comerciante Roberto Tuffi de Moura, proprietário do restaurante Só Frango, provocou a família de Pascoal. "Esperei três anos por este momento", disse Moura sem disfarçar a alegria.
Pascoal está preso na única cela existente no Comando da Polícia Militar. Não recebeu visitas, porque não houve autorização judicial. O comandante em exercício da PM, coronel Nílson Dias Barbosa, disse apenas que o ex-deputado federal cumpriu rotina. "Ele chegou, tomou banho e comeu como qualquer pessoa normal", disse Barbosa. "Podem ficar tranquilos, que não haverá fuga e tampouco problemas com a segurança do réu", respondeu o comandante em exercício da PM, ao ser lembrado por jornalistas que um traficante fugiu da mesma cela há cerca de quatro anos.

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